Marcelo defende “intervenção de choque” no combate à inflação e lembra dificuldades das maiorias absolutas

CNN Portugal , DCT
3 set, 19:37

A dois dias de o Executivo apresentar um pacote de medidas de apoios às famílias para combater a inflação, o Presidente da República diz aguardar a “solução do governo”, mas defende que pode ser necessária uma “intervenção de choque”

Marcelo Rebelo de Sousa defende uma “intervenção de choque” e o acompanhamento, em simultâneo, do estado da inflação para fazer frente à subida do custo de vida, escalada, em parte, pela invasão da Rússia à Ucrânia, numa altura em que ainda se vive os efeitos da pandemia na economia.

À margem de uma visita à Feira do Livro, em Lisboa, e usando como exemplo as declarações do governador do Banco de Portugal, o Presidente da República defende que “há que ter, por um lado, uma intervenção de choque para compensar a situação” vivida nos últimos meses e que se vive de momento, e, “por outro lado, há que acompanhar a inflação, que pode descer a partir de outubro e novembro”, o que poderá levar à necessidade de “ajustar mês a mês as médias à situação da inflação”. Mas frisa que “as medidas devem ser tomadas com esse choque imediato”.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que aguarda a “solução do governo” - pacote de medidas de apoio às famílias que deve ser apresentado na próxima segunda-feira e que pode incluir cada família receber 100 euros de apoio, por exemplo -, e, apesar de já ter dito que não se pode “perder tempo”, rejeita as críticas de que algumas já deviam ter sido implementadas, sobretudo no que diz respeito a descidas de impostos. “Muitas das medidas para sempre tomadas, sobretudo para envolver impostos, implicaria parlamentos e os parlamentos por toda a Europa estão parados”, explica.

“Há um conjunto de condições que para o ano podem não ser repetíveis. O Produto Interno Bruto (PIB) pode não voltar a crescer tanto, a situação em termos de disponibilidade pode não ser tão grande e por isso tem de haver esse equilíbrio: atacar a situação naquilo em que é preciso atacar com a urgência e ver a evolução da economia e da própria inflação para ter a certeza de que é preciso ajustar mês a mês, permanentemente, as medidas e a execução das medidas à evolução da situação vivida”, explica.

Em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa considera ainda que é “óbvio” que “é muito importante” também apoiar as classes médias e não focar apenas as medidas às classes mais desfavorecidas. “A energia toca a toda a gente, os custos de inflação atingem as classes médias”.

Uma das medidas que é já tida como certa é o aumento das pensões.

“Lembro-me de maiorias absolutas que não tiveram estado de graça”

Quando questionado sobre os problemas mais recentes  no governo de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa lembra que um governo de maioria não é sinónimo de um governo imune aos problemas de um país.

“Um governo com maioria absoluta não quer dizer um problema sem problemas”, começa por dizer, lembrando que “a sociedade tem problemas” e que esses mesmos problemas refletem-se no Executivo.

Marcelo Rebelo de Sousa diz ainda que “tivemos várias maiorias absolutas e o facto de haver maioria absoluta não significa que a sociedade não tenha problemas que se colocam também as maiorias absolutas para serem resolvidos”.

“Lembro-me de maiorias absolutas que não tiveram estado de graça”, atira.

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