Costa chamou o PAN para uma coligação e o PAN usou o debate com Ventura para impor condições ao PS... e ao PSD

14 jan, 19:59

André Ventura quis forçar o PAN durante o debate a assumir que "é um aliado do PS" mas Inês Sousa Real falou sobre outro aliado possível, os sociais-democratas - isto um dia depois de Costa ter dito no debate com Rio que admitia um acordo com o PAN em caso de o PS não ter maioria

O PAN está disponível para apoiar um governo do PS ou do PSD? A pergunta foi feita mas Inês Sousa Real não se comprometeu: "Teremos de fazer a avaliação após 30 de janeiro", disse a líder do PAN, esta sexta-feira, no seu último debate televisivo, desta vez frente a André Ventura, do Chega.

A deputada do partido Pessoas Animais Natureza fugiu à resposta mas sublinhou que o partido já "deixou bem clara a sua posição" e que tem "as suas linhas vermelhas" bem definidas. Para se aliar ao PSD, por exemplo, este terá de rever a sua aposta na eucaliptização e ser mais efetivo no que toca à proteção animal. Já ao PS Sousa Real exige-lhe que seja "mais ambicioso na retoma sócio-económica" e que terá que garantir que os fundos do PRR serão "geridos de forma transparente" e também de rever "as borlas fiscais para a indústria petrolífera".

"Os portugueses sabem com o que contam da parte do PAN", disse Inês Sousa Real. "Os nossos eleitores conhecem-nos bem, sabem que não atirámos a toalha ao chão no debate do Orçamento do Estado, conhecem o nosso sentido de responsabilidade."

Já André Ventura apresentou o Chega como "um partido que quer ser governo e que está a lutar por isso" e garantiu: "Nós apenas governaremos numa maioria de direita".

Para este debate, a estratégia de André Ventura era encostar o PAN a tudo o que o PS fez nos últimos anos e, assim, não só imputar-lhe responsabilidades como impedir Inês Sousa Real de se apresentar como alternativa ou "novidade": "O PAN viabilizou todos os orçamentos socialistas, isto significa que se hoje temos uma das maiores cargas fiscais da Europa e a quinta eletricidade mais cara da Europa" também é responsabilidade do PAN, acusou Ventura, desafiando: "O PAN deveria assumir que é aliado do PS".

André Ventura tinha ainda mais duas acusações: a de que o PAN quer, por um lado, aumentar os impostos e, por outro, "proibir tudo" - referindo-se às touradas, à caça e à pesca desportiva.

Mais ou menos impostos?

"A única coisa que o PAN sabe fazer é taxar para combater as alterações climáticas. É muito fácil dizer que se vai taxar aqui e ali. Podemos ter uma conversa muito bonita sobre alterações climáticas" mas "não o podemos fazer à custa das pessoas, nem das empresas nem da economia", defendeu Ventura, lembrando que o PAN foi contra a redução do IVA na eletricidade e apoia o aumento do preço dos combustíveis (que vai acontecer novamente já na próxima semana).

Já o Chega é muito claro, disse o seu líder: "Nós estamos contra tudo o que é aumentar impostos em Portugal. Queremos que as nossas empresas sejam competitivas lá fora, não as podemos sufocar. Nós queremos descer tudo o que se poder descer aos portugueses. O que as pessoas querem saber quando chegam à bomba da gasolina é quanto é que pagam, o resto é a conversa", disse Ventura, concluindo que "o país está atolado em impostos".

A líder do PAN não se deixou intimidar e explicou que o partido defende o fim das isenções sobre os produtos petrolíferos e também que as milhões de euros obtidos com as taxas de carbono devem ser usados para apoiar as famílias e os mais pobres. "Devemos taxar quem mais polui e quem mais lucra."

Inês Sousa Real relembrou, assim, que a batalha contra a crise climática deve ser prioritária - "temos de deixar as atividades poluentes" - mas que pode ser feita sem descurar a economia: passa, por exemplo, por "uma maior utilização dos fundos do PRR" neste sector, "apostar na ligação da ferrovia em todas as capitais do pais", combater a pobreza energética, "reverter o empreendedorismo para termos uma economia e uma empregabilidade verdes".

Para implementar estas e outras medidas, Sousa Real gostaria de criar um Ministério do Ambiente e das Alterações Climáticas.

Caça e touradas: proibir ou regular

O outro tema da discórdia foi a proibição das touradas, da caça e da pesca desportiva. "O PAN quer acabar com o mundo rural", lançou André Ventura. "Quer acabar com a caça, sabendo a importância que tem na economia local e como é importante para a preservação de certas espécies, e é contra pesca desportiva. Não há nenhum país na Europa que tenha proibido a caça e a pesca desportiva."

Já o Chega "propõe que estas atividades sejam reguladas e controladas". "Tem de se respeitar quem gosta de coisas diferentes", disse Ventura. "O PAN é contra as bodycams nos polícias mas quer pôr câmaras nos matadouros."

Inês Sousa Real contrapôs que o PAN "é a favor do progresso civilizacional". "Sim, queremos proibir as touradas e a caça, que são atividades anacrónicas, não deviam ter lugar no século XXI, são atividades bárbaras." E propôs que "os 16 milhões de euros que vão direta ou indiretamente para a tauromaquia seja canalizados para a verdadeira cultura do nosso país" - referindo-se aos criadores artísticos.

"Reduzir o mundo rural à tauromaquia e a caça é insultuoso", disse Sousa Real, garantindo que não quer "acabar com o mundo rural", antes pelo contrário: "O PAN  tem pugnado pela defesa da coesão territorial", por exemplo propondo medidas para a reconversão para modos de agricultura mais sustentáveis, acautelando as consequências das alterações climática e garantindo a gestão dos ecossistemas. É preciso, disse, "acabar com disparates" como o aeroporto do Montijo, a construção em duna primária (como acontece na costa alentejana) ou a exploração de lítio perto das populações.

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