PAN acolhe elogio de Costa, mas adia compromissos para dia 30

Agência Lusa , RL
14 jan, 13:13

Inês Sousa Real diz que elogio “é o fruto do reconhecimento do trabalho que o PAN tem tido na Assembleia da República”.

A líder do PAN escusou-se esta sexta-feira a comprometer-se com o PS para uma solução governativa, considerando que o elogio de António Costa à atuação deste partido é “o fruto do reconhecimento” do trabalho na Assembleia da República.

Inês Sousa Real falava aos jornalistas no final de uma visita à Associação de Intervenção Comunitária CRESCER, na Quinta da Cabrinha, em Lisboa, no âmbito de uma ação de pré-campanha com o objetivo de divulgar o trabalho feito por esta organização no diagnóstico e tratamento de doentes com Hepatite C.

Questionada sobre o “piscar de olhos” de António Costa, que quinta-feira afirmou, durante um debate com Rui Rio, que o PS e o PAN poderão somar mais de metade dos deputados, Inês Sousa Real disse que “é o fruto do reconhecimento do trabalho que o PAN tem tido na Assembleia da República”.

“Temos sido uma força política responsável, que tem apresentado várias soluções para o país em matérias como o alargamento da tarifa social de energia a mais de 100 mil famílias, no apoio às vítimas de violência doméstica, combate à crise climática, com a lei de bases do clima, o alargamento do luto parental; temos estado na charneira daquilo que têm sido as conquistas da Assembleia da República”, referiu.

“É natural que haja esse reconhecimento tendo em conta que o PAN foi a única força política que não atirou a toalha para o chão num momento crÍtico para o país, que era o do orçamento do Estado”.

“O país não queria uma crise política por cima de uma crise económica e uma crise também sanitária e o PAN não se furtou à responsabilidade de tentar, pelo menos, que o orçamento do Estado chegasse à fase da especialidade”, prosseguiu.

No debate com Rui Rio, Costa recordou que “houve um partido que, juntamente com o PS, não contribuiu para esta crise: O PAN”.

A presidente do PAN escusou-se, contudo, a revelar se aceitará fazer parte de uma solução governativa com o PS, remetendo uma resposta para o dia das eleições.

O compromisso do partido, segundo a sua líder, “é para com as suas causas, é o compromisso para o diálogo”.

“No dia 30 estaremos disponíveis para conversar e para perceber de que forma é que poderemos avançar mais as nossas causas, estando ou não numa solução governativa”, indicou.

E avisou: “Até ao dia 30 não vamos fazer futurologia, no dia 30 vamos perceber qual o resultado eleitoral, quais os compromissos que os partidos estão a fazer. No dia 30 não faltaremos ao país, da mesma maneira que não faltámos no orçamento do Estado”.

Sobre o tema da visita que efetuou hoje, Inês Sousa Real alertou para o impacto da pandemia de covid-19 que “arrastou muitas mais pessoas para o contexto de vulnerabilidade e pobreza”.

“Portugal tem 2,3 milhões de pessoas em Portugal em risco de pobreza, muitas destas pessoas estão em situação de sem-abrigo e inclusive com comportamentos aditivos”, disse, sublinhando a importância de “meios descentralizados e respostas para quem está na rua e tem doenças, como a hepatite C”.

E referiu que “estas doenças crónicas e graves têm ficado para trás, por força da covid-19”.

“Desde o primeiro momento da pandemia que já deveriam existir respostas de saúde pública, não só para as doenças graves em contexto hospitalar, mas também a prevenção necessária que deve ser feita, existirem equipas articuladas com as associações para chegar até às pessoas”, defendeu.

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