IGAS abre inquérito ao presidente do INEM por suspeitas de pernoitar no próprio gabinete

26 jan, 19:12
Luís Mendes Cabral, presidente do INEM. Foto: INEM

Luís Cabral vivia nos Açores, de onde é natural, mas em novembro de 2025 assumiu em Lisboa o cargo de líder da emergência médica

A Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um processo ao presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral, na sequência de denúncias que dão conta de que o responsável dorme nas instalações do organismo de emergência médica, no centro de Lisboa. De acordo com a queixa, o responsável pernoita no seu gabinete e o inspector-geral da Saúde ordenou a abertura de um processo de esclarecimento ao caso.

Segundo apurou a CNN Portugal, o processo aberto pela IGAS vai incidir sobre “atuação do presidente” do INEM para verificar se, como diz a denúncia recebida, há de alguma forma “uso de bens públicos, para fins privados”. Ou seja, a IGAS quer saber se Luís Cabral está a usar as instalações do INEM para pernoitar ou se ali passou apenas umas noites a trabalhar.

Luís Cabral, que assumiu funções a 4 de novembro de 2025, era até agora diretor clínico do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, onde residia há longos anos e de onde é natural. Está em Lisboa, desde que tomou posse. . 

Escolha gerou contestação

A escolha do novo presidente do INEM não foi pacífica, uma vez que os técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) contestaram a nomeação, alegando que o novo líder do organismo defende um modelo assente em enfermeiros e com menos competências para os TEPH. 

Por outro lado, Luís Cabral viu-se também sob fogo depois de ter alterado, a 2 de janeiro, a forma de triagem do INEM, criando cinco níveis de prioridade, como existe nos hospitais, que, consoante a gravidade do problema, define tempos entre os 8 e os 120 minutos para a chegada de uma ambulância.

Foi também Luís Cabral quem deu a cara na sequência das três mortes recentes relacionadas com alegados atrasos do INEM, atirando as culpas para os hospitais por reterem as macas e impedirem, assim, as ambulâncias de chegar a tempo aos que precisam de socorro. 

As polémicas não ficam por aqui: nos últimos dias os técnicos de emergência médica acusaram o presidente do INEM de ter alterado as regras de formação que estavam acordadas com o Governo, ameaçaram com tribunal e queixaram-se à ministra da Saúde numa reunião que tiveram na sexta-feira. De acordo com Rui Lázaro, presidente do sindicato dos TEPH, o Executivo tinha "prometido" que a formação dos técnicos seria feita no Ensino Superior, o que Luís Cabral tentou mudar, definindo que seria feita antes no INEM. 

A CNN Portugal contactou o presidente do INEM que preferiu não comentar.

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