Morte podia ter sido evitada, admitem inspetores da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). Entre o pedido de socorro e chegada de auxílio passou uma hora e 50 minutos, o que impossibilitou uma intervenção que lhe salvaria a vida
Tinha 53 anos, morreu por enfarte agudo do miocárdio, mas “este desfecho fatal podia ter sido evitado caso tivesse havido um socorro num tempo mínimo e razoável” do INEM. A conclusão é da IGAS, que confirma assim que pelo menos uma das 12 mortes ocorridas em outubro e novembro de 2024 durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar - e que estão a ser investigadas - esteve relacionada com os atrasos verificados no organismo naqueles dias.
Este caso que a IGAS considera que podia ter sido evitado é relativo a um homem de Pombal e ocorreu a 4 de novembro - dia em que no INEM se acumularam duas greves e que em alguns períodos do dia mais de 70% das chamadas de socorro ficaram por atender.
Segundo o relatório da IGAS, a que CNN Portugal e a TVI tiveram acesso, entre a primeira chamada telefónica para o 112 feita pela mulher da vítima e a chegada do meio de auxílio (Vmer) passou uma hora e 50 minutos, o que impossibilitou que o homem conseguisse ser submetido a tempo a uma “angioplastia coronária” num dos hospitais da zona, o que lhe podia salvar a vida.
“A demora do atendimento”, referem os inspetores da IGAS, é “revelador de ineficiências” e “juridicamente censurável”, uma vez que perante a análise de todas as chamadas telefónicas é possível verificar que alguns profissionais revelaram falta de zelo, não atuando segundo as boas práticas médicas de dois profissionais - que podem agora ser alvo de processos-disciplinares do INEM.
Dos 12 casos que estão em investigação na IGAS, faltam ainda relatórios finais sobre nove casos. Além deste de Pombal, a IGAS já concluiu um relativo a um homem de Cacela a Velha e uma mulher de Castelo de Vide, tendo concluindo que no caso destas duas vítimas não se confirma uma relação direta entre a morte e os atrasos no socorro do INEM. Apesar disso, os inspetores sublinharam em ambos os casos a gravidade dos atrasos na emergência médica - seja no atendimento, seja no acionamento de meio de socorro.