Atraso do INEM pode ter sido decisivo para morte de idoso engasgado em Mogadouro

25 set 2025, 18:24
INEM

Caso foi remetido ao Ministério Público

O homem de 84 anos que morreu engasgado durante o período de greves do INEM no ano passado poderia ter sobrevivido caso não tivesse ocorrido um atraso do socorro. Esta é a conclusão do relatório da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde que analisou o impacto das falhas registadas entre o dia 31 de outubro e o dia 4 de novembro de 2024, datas em que se verificaram paralisações na emergência médica. 

Ao que apurou a CNN Portugal, a IGAS dá indicações ao INEM para que avance com um processo disciplinar para o médico regulador do Comando Operacional de Doentes Urgentes (CODU) que, no dia em que foi pedido socorro para o idoso em Mogadouro, não agiu da forma mais adequada. 

O relatório foi enviado para o Conselho Diretivo do INEM que terá o poder de avançar com um processo. Este inquérito é o último a ser revelado das doze investigações levadas a cabo pela Inspeção-Geral. Nele, é descrito que "o atraso no atendimento telefónico por parte do CODU poderá ter tido uma influência significativa no desfecho final da vítima, após ter ocorrido uma situação de engasgamento, constituindo-se como um fator contributivo relevante para o desenvolvimento de encefalopatia hipóxica, seguida de óbito".

O inquérito apurou ainda que o médico regulador não terá agido "de forma diligente e zelosa" no momento do "acionamento dos meios diferenciados de emergência médica, nomeadamente a Viatura Médica de Emergência e
Reanimação, para a realização do transporte secundário entre o Serviço de Urgência Básica de Mogadouro e a Unidade Hospitalar de Bragança".

O caso, segundo a IGAS, foi remetido para o Ministério Público, nomeadamente o DIAP de Bragança, onde corre um inquérito judicial sobre esta ocorrência. 

Este não é o único caso em que os peritos ouvidos pela IGAS concluem que os atrasos no INEM podem ter tido influência no desfecho fatal das vítimas. Em outros dois casos, os inspetores também apontam uma relação entre as falhas no socorro e as mortes dos utentes.

Entre eles, está um homem de 53 anos que esperou 1:50 horas para ser assistido e que acabou por morrer devido a um enfarte agudo do miocárdio. De acordo com a IGAS "este desfecho fatal poderia ter sido evitado caso tivesse havido um socorro no tempo mínimo e razoável".

Além dos relatórios relativos às 12 mortes, a IGAS fez também um relatório relativo aos impactos das greves na capacidade de resposta dos CODU, tendo concluído que mais de metade das chamadas para o INEM foi abandonada, com apenas 2.510 das 7.326 chamadas atendidas.

 

 

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