INEM demorou uma hora ou mais a acionar meios em mais de mil chamadas

Agência Lusa , PP (atualizado às 21:58)
23 out, 21:02
INEM

Dados são do próprio organismo que lembra que “os meios de emergência só podem ser acionados depois de realizada a triagem clínica dos pedidos recebidos através do número europeu de emergência – 112”

O INEM demorou uma hora ou mais a acionar meios de assistência em mais de mil dos cerca de 931 mil acionamentos registados entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados hoje divulgados pelo organismo.

De acordo com um comunicado do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), “em termos globais, e para o período em análise (janeiro a agosto de 2022) o tempo médio de resposta do INEM para acionamento do primeiro meio é de três minutos”.

Muito fora da média estão os acionamentos feitos numa hora ou mais, 0,125% do total de acionamentos registados entre janeiro e agosto do ano passado (931.685), o que corresponde a 1.164.

O organismo lembra que “os meios de emergência só podem ser acionados depois de realizada a triagem clínica dos pedidos recebidos através do número europeu de emergência – 112”.

O INEM salienta que as situações classificadas como “prioridade 1” (que comporta risco imediato de vida) que esperaram uma hora ou mais pelo envio de meios de emergência “foram menos de duas por dia”.

Além disso, esclarece que nos casos em que o envio de meios de emergência demorou uma hora ou mais, o número de casos considerados de “prioridade 1” inclui também as ocorrências em que a prioridade foi inicialmente classificada de nível 3 (vítima urgente que carece de intervenção dentro de uma janela temporal ligeiramente superior à anterior), mas depois alterada para 1, “após nova informação recebida, com agravamento de sintomas por exemplo, ou após avaliação da(s) vítima(s) pelas equipas no local”.

Entre estes casos, incluem-se também as “situações de acionamentos diferidos de helicópteros e outros meios para transportes inter-hospitalares de doentes críticos”, que “só é efetivado quando estão criadas as condições para que isso aconteça”.

“Todas estas situações, que se verificam com alguma regularidade na atividade diária de emergência médica, contribuem naturalmente para um aumento do tempo de resposta para acionamento do meio de emergência”, admite o INEM.

Todos os anos, “o INEM e os seus parceiros no Sistema Integrado de Emergência Médica, bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa, dão resposta a mais de 1.3 milhões de pedidos de ajuda”.

Em 27 de setembro, o presidente do INEM reconheceu que em algumas situações verificaram-se “tempos para socorro mais elevados do que o instituto quer”, mas considerou que, na globalidade, a resposta do INEM está dentro dos indicadores previstos nesta matéria.

“De forma consistente, de janeiro a agosto, o INEM acionou os meios com menos de uma hora de atraso em 99% das situações”, afirmou Luís Meira, numa audição no parlamento sobre “as falhas na prestação de socorro por parte do INEM”.

Naquela ocasião, o presidente do INEM aproveitou para convidar os deputados a visitar um dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes para perceberem a “dificuldade que é gerir situações com informação que é muito difícil de recolher”.

Na mesma ocasião, Luís Meira admitiu dificuldades para contratar operacionais, devido à exigência das funções e a questões de carreira, considerando que esses constrangimentos podem ser minimizados com a integração do instituto no Serviço Nacional de Saúde.

Segundo Luis Meira, o INEM tem feito um “esforço grande” para recrutar mais recursos humanos, mas apontou o exemplo das 178 vagas abertas recentemente e que não foram preenchidas na totalidade.

Luis Meira anunciou estar em fase final um novo concurso para o recrutamento de 125 técnicos, que deverão ser contratados no início de 2023 “se tudo correr como é expectável”, manifestando-se esperançado que a totalidade desses lugares possa agora ser ocupada.

Liga dos Bombeiros Portugueses pediu auditoria a socorro pré-hospitalar

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) pediu uma auditoria ao socorro pré-hospitalar e garante estar “empenhada em ajudar a resolver o problema dos atrasos na resposta a situações de emergência médica”.

Em comunicado hoje divulgado, a LBP explica que a auditoria foi pedida, “devido a situações em que por exemplo bombeiros de Cascais, Sintra ou Oeiras são obrigados a responder a chamadas no distrito de Setúbal, com tempos que ultrapassam uma hora”.

Salientando estar “empenhada em ajudar a resolver o problema dos atrasos na resposta a situações de emergência médica”, a LBP refere que “já manifestou por várias vezes essa disponibilidade ao INEM, que nunca deu resposta”.

Fonte oficial do INEM, contactada pela Lusa, afirmou que aquele organismo e a LBP “têm vindo a dialogar sobre várias matérias relacionadas com a emergência médica pré-hospitalar”, e que, “da parte do INEM, este diálogo continuará a ser feito em sede própria e diretamente com a LBP”.

“É de referir que grande parte do socorro pré-hospitalar é já assegurado pelos Corpos de Bombeiros enquanto entidades integrantes do Sistema Integrado de Emergência Médica”, lê-se numa nota enviada à agência Lusa.

Por seu lado, a LBP alerta, que “já o manifestou várias vezes ao INEM e à tutela, que o número de ambulâncias de que a emergência pré-hospitalar dispõe é insuficiente tendo em conta o número de ocorrências”.

“O reforço dos postos está em execução, mas infelizmente sem os resultados desejados e sem que a Liga tenha sido ouvida relativamente ao seu posicionamento”, lamenta.

A Liga alega que já propôs ao INEM “a absoluta disponibilidade dos corpos de bombeiros para terem, todos e cada um deles, uma ambulância de socorro, para além do reforço de ambulâncias em alguns dos postos de emergência médica já em operação”.

“Neste momento já existem cerca de 300 ambulâncias a ser operadas pelos corpos de bombeiros (a que se juntam cerca de 40 na Cruz Vermelha e cerca de 60 no INEM)”, refere a LBP, indicando que “manifestou igualmente disponibilidade para operar ela própria três ambulâncias em Lisboa, o distrito onde se verificam mais carências e os atrasos no socorro são mais significativos”.

A Liga alerta que, “apesar de cerca de 75% das ambulâncias de socorro serem operadas pelos Bombeiros, através de protocolos, é ao INEM que compete, por lei, a definição, organização, coordenação e avaliação das atividades de emergência médica, nomeadamente no que diz respeito ao socorro pré-hospitalar”.

Para a LBP, “os Bombeiros não podem ser responsabilizados pela agudização do estado de saúde das vítimas de acidentes ou doenças súbitas devido ao facto de o INEM não estar organizado ou o Estado não garantir os meios suficientes”.

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