Quatro dos casos ocorreram na Margem Sul, onde as ambulâncias estavam indisponíveis. Deviam todos ser socorridos em 18 minutos, mas os bombeiros foram acionados mais de uma hora depois. INEM diz que vai investigar
No dia 11 e 12 de maio, o INEM não conseguiu dar resposta nos tempos definidos em, pelo menos, sete casos graves, segundo informação interna a que a CNN Portugal teve acesso. Entre os casos havia suspeitas de AVC e enfartes, idosos com dispneia e com falta de oxigénio, e até uma criança com “alteração do estado de consciência”.
Em seis dos casos a ambulância demorou mais de uma hora, quando a prioridade definida obrigava a um socorro até 18 minutos por serem considerados situações “muitos urgentes”. Quarto destes casos ocorreram na margem sul, todos na última segunda-feira dia 11. A familiar de uma das vítimas adiantou à CNN Portugal que ficaram à espera do socorro cerca de hora e meia. “Mas quando chegamos ao Garcia de Orta reparei que estavam muitas ambulâncias da região retidas na triagem com os doentes que transportaram”.
Nessa mesma segunda-feira, os registos internos do INEM mostram que várias informações do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) dão conta de que “não há ambulâncias disponíveis na área”. Foi o que sucedeu numa ocorrência no Laranjeiro e um jovem de 18 anos, com suspeita de traumatismo da coluna. A chamada foi registada as 12:14, mas apenas se conseguiu acionar uma ambulância às 13:26, dos Bombeiros Voluntários do Seixal.
Uns minutos antes, às 12:11 também chegou ao CODU um pedido de ajuda para uma mulher de 94 anos que estava já a ficar roxa com falta de oxigénio. Mas só às 13:14 foi enviada uma ambulância dos Bombeiros de Cacilhas.
Foi também por volta dessa hora que outro caso “muito urgente” ficou à espera muito além dos 18 minutos previstos. Um homem na Trafaria, com dor torácica e vários problemas ficou sem socorro durante uma hora e meia. A filha ligou ao CODU a pedir ajuda, mas o registo interno do INEM indica que os Bombeiros Voluntários de Cacilhas, os Bombeiros Voluntários de Almada e ainda os Bombeiros Voluntários da Trafaria não estavam disponíveis. Por isso, apesar de a chamada de emergência ter sido feita às 12:29 só às 13:51 a viatura foi acionada, sendo u meio do quartel da Trafaria que transportou o doente para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde estariam várias ambulâncias retidas a aguardar que os doentes fossem libertados da triagem.
Igualmente nessa altura do mesmo dia, mais precisamente às 12:17 ocorreu outro caso considerado “muito urgente” que não teve resposta em 18 minutos. Mas desta vez foi em Lisboa e tratou-se de uma adolescente de 14 anos que se sentiu mal no colégio com “alteração do estado de consciência”. A ajuda só foi enviada pelas 12:56.
Apesar da gravidade dos casos descritos, nenhuma das situações teve um desfecho fatal.
INEM diz que está a implementar nova triagem
Na terça-feira, dia 12, os atrasos no CODU voltaram a repetir-se. Um deles foi em Loures. A um homem, de 64, com dor torácica, na chamada de socorro ás 12h40 foi atribuída prioridade 2, que significa “muito urgente”, mas a ambulância dos Bombeiros de Loures só foi enviada uma hora depois. No entanto, os bombeiros alegam que apenas receberam o pedido do CODU às 12:47. E segundo um familiar da vítima que falou com a CNN Portugal, foram informados de que a viatura estaria estacionada no quartel durante toda aquela hora em que a vítima esteve a aguardar socorro.
Nesse mesmo dia uma outra mulher de 93 também se sentiu mal com classificação de “muito urgente”: a chamada para o 112 foi feita às 09:13, mas só às 10:46 a ambulância foi enviada.
À CNN Portugal o INEM adianta que vai investigar todos os casos. “As situações identificadas serão alvo de análise por parte do INEM, no âmbito dos procedimentos habituais de monitorização e auditoria da atividade operacional”, explica fonte oficial.
O organismo acrescenta “o novo modelo de triagem do INEM continua em fase de implementação progressiva, integrando diferentes componentes tecnológicas e operacionais”, mas admite que não será possível cumprir em todas os casos de socorro que o “tempo de resposta definido para cada prioridade”.
“Mesmo nos sistemas de emergência médica mais diferenciados a nível internacional”, os tempos de resposta “não são alcançadas em 100% das situações, existindo múltiplos fatores operacionais que podem influenciar os tempos de resposta em contexto real”, alegam.
