Vodafone: o que funciona e o que ainda não está a funcionar depois do ciberataque

8 fev, 13:19

A operadora assumiu hoje que foi alvo de um ciberataque na segunda-feira que deitou abaixo quase a totalidade dos serviços e afetou quatro milhões de clientes. Entre estes estão alguns serviços essenciais, como é o caso do INEM, e que obrigaram à procura de alternativas enquanto a Vodafone tenta repor os serviços

Serviços de Voz

O acesso a serviço voz e dados 3G foi o primeiro a ser recuperado, como revelou o CEO da Vodafone, Mário Vaz, em conferência de imprensa, esta manhã, na sede da Vodafone Portugal. "Recuperámos o serviço de voz cerca das 22:00. Recuperámos os dados 3G já perto da meia-noite. Recuperámos esta manhã o serviço de SMS ponto a ponto."

Dados Móveis

Com uma "capacidade reduzida", os dados móveis 3G são insuficientes para todos os clientes da Vodafone.

Apesar de estarem disponíveis desde a meia-noite, a empresa garante que tem todos os meios empenhados para "refazer tudo aquilo que foi desfeito" e tentar recuperar os dados móveis 4G durante a tarde de terça-feira, mas "com um elevado grau de incerteza". A empresa não se referiu aos dados 5G durante a conferência de imprensa.

Cerca das 18:00, a operadora lançou um comunicado a referir que os dados móveis 4G tinham sido restabelecidos mas "com limitações" e apenas em algumas zonas do país.

Serviços de Internet fixa

"Não tivémos indisponibilidade do serviço de internet fixa", revelou Mário Vaz.

Serviços de televisão

Apesar da totalidade do serviço ainda não ter sido recuperado, um número "expressivo de clientes de televisão" já foi recuperado. "É um trabalho moroso, que tem de ser feito numa determinada sequência e com a garantia que cada serviço que recuperamos é o mais estável possível para termos a certeza que podemos por uma nova camada de serviços", adianta o CEO.

Serviços empresariais

"Há serviços empresariais que estão dependentes da rede de dados e que estão indisponíveis”. É o caso do serviço One Net, que teve de ser desativado temporariamente para que outros serviços pudessem ser ativados. Entre os clientes da Vodafone incluem-se o INEM e bancos, dependente do serviço de SMS, e também a SIBS, que gere a rede de multibancos.

SIBS

A rede SIBS (responsável pelos multibancos) sofreu "instabilidade pontual" por causa do ciberataque à Vodafone Portugal. Em comunicado, a empresa garante que, até ao momento, "a generalidade dos serviços prestados pela SIBS continua a funcionar e a verificar os níveis de utilização habituais", e salienta que a Vodafone está "desde o início a intervir para encontrar uma solução".

Em declarações aos jornalistas, o CEO da Vodafone Mário Vaz confirmou a falha nos serviços e revelou que a empresa está a trabalhar para resolver o problema, dizendo que "a rede de multibancos está suportada na rede Vodafone" e que como "alguns dos ATM tem como rede de interligação a rede móvel de dados, a tal que esteve indisponível até perto da meia-noite" esse serviço este indisponível. "Pese embora, nós tenhamos com a SIBS um serviço que minimize os impactos, eles existiram e não estão totalmente resolvidos. Esta dependência da rede 4G para a sua total resolução é crítica e é essa a nossa prioridade máxima", adiantou.

INEM

O INEM admitiu que o ciberataque à Vodafone causou constrangimentos no acionamento de meios de socorro. Em declarações à TVI/CNN Portugal, fonte oficial do INEM diz que "entre ontem e hoje foram detetados constrangimentos para acionar os meios de socorro, tendo o INEM recorrido a redes alternativas, designadamente a rede SIRESP e a linha telefónica da Meo".

O CEO da Vodafone confirmou a falha nos serviços e revelou que a empresa está a trabalhar "de forma muito próxima com a equipa" em soluções alternativas. "Não são as ideais e não são as suficientes", admitiu Mário Vaz.

Bombeiros e Proteção Civil

Há também constrangimentos nas linhas de emergência de algumas corporações de bombeiros, como é o caso dos bombeiros voluntários de Valença, Esposende, Famalicão, Avintes e Espinho que estão sem contactos por pertencerem à rede Vodafone. 

As corporações têm pedido, através das redes sociais, que as pessoas contactem os serviços de emergência através do 112 ou de números alternativos. Depois disso, as chamadas são reencaminhadas pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) pela rede Siresp.

Hospitais

O Centro Hospitalar Universitário do Porto, de que fazem parte o Hospital de Santo António e o Centro Materno Infantil, diz ter resolvido as falhas de rede Vodafone com o recurso à internet. No hospital de Matosinhos a situação está a ter impacto no envio automático de SMS, tais como convocatórias de consultas e exames, envio de resultados de testes covid, entre outros. Também o hospital de Guimarães está sem central telefónica, mas tem três números disponíveis para urgências.

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