Carros incompletos (e por isso parados) em Portugal: eis um novo problema - e não estranhe se receber uma chave a menos

3 fev, 18:36
Autoeuropa

Semicondutores: os carros precisam disto mas não está fácil. Eis o que se passa no sector dentro do país

Os mais recentes dados do sector automóvel apontam para uma quebra de 9,5% no número de veículos matriculados em janeiro comparativamente a igual mês de 2019 (pré-pandemia). Em relação a janeiro de 2022, a evolução já representa um aumento de 43%, no entanto tal acontece pois só agora se verifica uma “tendência para a normalização das cadeias de abastecimento”, refere a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Esta normalização, segundo a associação sectorial, está a ser sentida no que toca à produção de semicondutores, bem como nas entregas de encomendas de clientes que se encontravam por satisfazer. O resultado traduziu-se em 17.455 veículos automóveis matriculados em janeiro de 2023.

Contudo, a normalização da produção de chips ainda não se repercutiu de igual forma por todo sector. Conforme avançou o Jornal de Negócios, a maior fábrica de produção de automóveis em Portugal, a Autoeuropa, está com percalços na sua produção. Segundo fonte citada pelo jornal, “as perturbações no fornecimento de semicondutores vêm já do ano passado”, estando a afetar a indústria automóvel a nível global.

Questionada pela CNN Portugal relativamente a estes dados e quais os passos a serem tomados para combater o problema, fonte oficial da fábrica da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, confirmou a continuação da escassez de semicondutores, que está a forçar a empresa a construir carros incompletos. Em causa estão cerca de 5.000 carros parados em parque “para posterior recuperação”, uma situação que a Autoeuropa “espera regularizar o mais breve possível”.

O Negócios, por sua vez, refere que o objetivo será concluir os veículos em questão no espaço de um mês a mês e meio. Isto, por sua vez, pode refletir-se num número mais baixo no que toca ao volume de produção da fábrica, algo que depois será compensado por um número mais elevado de veículos dados como produzidos assim que os chips chegarem.

Por outro lado, na fábrica da Toyota Caetano, em Ovar, têm sido sentidas “poucas restrições”, garante a empresa, algo que só é possível pois “os componentes são fornecidos diretamente pelo Japão”. Por este mesmo motivo, a fábrica avança não ter qualquer viatura parada devido à escassez de chips.

Sem se referir ao caso particular da fábrica em Ovar, a Toyota avança ainda que, devido à escassez mundial de semicondutores, a marca “viu-se na necessidade de rever a política de fornecer duas chaves smart”, nomeadamente em alguns dos modelos produzidos entre novembro de 2022 e janeiro de 2023.

De modo a não congelar totalmente a entrega de viaturas aos clientes finais, pela falta de “alguns componentes” a Toyota optou por proceder à entrega das viaturas “com uma chave smart e com uma chave mecânica”, acrescenta a empresa.

A marca japonesa esclarece também que estas alterações já se encontram a ser comunicadas aos clientes, permitindo assim a entrega das viaturas que se encontram prontas. “Logo que a segunda chave smart ficar disponível, o cliente é de imediato contactado pelo concessionário”, conclui.

A CNN Portugal procurou também perceber qual o impacto da escassez de chips nas restantes fábricas do sector automóvel em Portugal, embora no caso da Mitsubishi Fuso Truck Europe, em Tramagal, não tenha sido possível obter uma reposta até à publicação deste artigo. Já no caso da fábrica da Stellantis em Mangualde (antiga PSA Mangualde), a CNN não obteve qualquer resposta após múltiplas tentativas de contacto.

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