Yes, they CAN: as histórias mais insólitas da competição africana

8 fev, 10:05
Taça das Nações Africanas

Do árbitro que se tornou viral pela forma de correr ao frango que lesionou o próprio guarda-redes, do lateral que foi à baliza com uma camisola remendada à garrafa do guarda-redes do Egito, são várias as histórias que a Taça das Nações Africanas nos deixou para sorrir... sorrir sempre!

A Taça das Nações Africanas chegou ao fim e, como sempre, deixou saudades. Poucas vezes o futebol preserva um carácter tão inocente e puro como na competição africana: na CAN, um jogo é sempre uma caixinha de surpresas pronta a ser aberta.

Longe das amarras, táticas ou comportamentais, do futebol europeu, África continua a ser um viveiro do jogo imaculado e virtuoso, onde tudo pode acontecer.

Ora neste artigo mostra-se que pode acontecer mesmo tudo.

Deixando de fora a emoção do futebol, viajámos pelos sorrisos das histórias mais insólitas que marcaram a última Taça das Nações Africanas, e que nos divertiram tanto quanto os melhores golos. Na certeza, de resto, que vai continuar a haver mais de onde estas vieram.

1.O árbitro que acabou o jogo antes do fim... duas vezes

Foi o incidente mais mediático, até por ser profundamente raro. O jogo entre o Mali e a Tunísia, do Grupo F da competição, foi duas vezes dado como encerrado... antes dos noventa minutos. O árbitro Janny Sikazwe, da Zâmbia, apitou pela primeira vez para o final da partida aos 85 minutos. Avisado para o erro, voltou atrás na decisão, mas voltou a não deixar o encontro chegar aos 90 minutos: quando faltavam onze segundos, acabou em definitivo. A seleção da Tunísia, que perdeu por 1-0, revoltou-se e o árbitro teve que deixar o relvado com proteção dos seguranças. Mais tarde procuraram-se explicações para este bizarro erro e houve quem falasse que o raciocínio de Janny Sikazwe, que já tinha sido notícia há uns anos quando foi suspenso por suspeitas de corrupção, estava condicionado por uma insolação. Certo é que foi suspenso pela CAF.

2.Organização enganou-se no hino três vezes, até que os jogadores se cansaram

Aconteceu também num jogo da primeira jornada do Grupo F, que parecia estar embruxado. A vítima foi desta vez a Mauritânia. Na partida frente à estreante Gâmbia, a organização enganou-se no hino. Por três vezes. A Mauritânia trocou o hino oficial em 2017 e, antes do início jogo, a instalação sonora do estádio começou a tocar o hino antigo. Os jogadores avisaram para o erro, a música parou... e depois voltou. Após três erros seguidos e quase quatro minutos de espera, os jogadores cansaram-se e seguiram com o protocolo sem esperar mais. Numa tarde para esquecer, a Mauritânia ainda foi derrotada pela Gâmbia por 1-0.

3.O lateral que foi à baliza com uma camisola remendada

As Comores estrearam-se na Taça das Nações Africanas e levaram muito que contar. Uma vitória sobre o Gana permitiu-lhes seguir para os oitavos de final, onde encontraram os favoritos Camarões. Foi neste jogo que as notícias pioraram: o guarda-redes titular lesionou-se e os dois suplentes testaram positivo à covid-19, num surto que também afetou outros jogadores e o treinador. Sem guarda-redes disponíveis, a solução passou por adaptar o lateral Chaker Alhadur, jogador do Ajaccio, da II Liga Francesa. No entanto, e perante a necessidade de utilizar uma camisola diferente dos companheiros, Chaker Alhadur teve de desenhar o número nas costas com fita adesiva. Foi por isso um guarda-redes improvisado com um equipamento improvisado que defendeu estoicamente a baliza de Comores durante noventa minutos, conseguindo segurar uma derrota heróica por 2-1, numa partida em que jogou reduzido a dez oitenta minutos.

4.O árbitro que se tornou viral pela fantástica técnica de corrida

Chama-se Peter Waweru e é professor de matemática pura e matemática na Jomo Kenyatta University, no Quénia. Para além disso é árbitro e tornou-se viral por causa de uma fantástica técnica de corrida. Tudo aconteceu na vitória por 2-0 da Nigéria sobre a Guiné-Bissau, quando as redes sociais ficaram loucas com o estilo de Peter Waweru. Sobretudo devido à corrida, claro, num estilo mecanicamente perfeito, mas também pela expressividade gestual.

5.O frango caricato que lesionou... o próprio guarda-redes

Badra Ali Sangare, guarda-redes da Costa do Marfim, tornou-se figura da Taça das Nações Africanas quando provocou um momento caricato. No jogo da segunda jornada, frente à Serra Leoa, já em período de compensação, o guardião mergulhou para apanhar uma bola atrasada por um colega, para evitar o canto, mas acabou por atirá-la na direção de um adversário, que fez a assistência para Kamara empatar o jogo (2-2). Como se isto não bastasse, ainda saiu daquele mergulho lesionado, teve de sair de campo e foi substituído na baliza por um jogador de campo.

6.A garrafa que mostra o nível de detalhe de Carlos Queiroz

O guarda-redes Mohamed Abougabal esqueceu-se da garrafa de água atrás da baliza, após a final da Taça das Nações Africanas, o que não seria notícia se esta não se tivesse tornado pública: a garrafa do guarda-redes do Egito tinha indicações de para onde batiam todos os adversários a bola nos penáltis. Talvez por isso, Abougabal tenha adivinhado em quatro grandes penalidades o lado para onde a bola foi rematada. Infelizmente para Carlos Queiroz, só defendeu uma e o Senegal venceu a competição.

7.Mahrez deixa o estádio pela porta detrás... e de carro

A Taça das Nações Africanas é cada vez mais um grande acontecimento, sobretudo em África. Por isso o entusiasmo à volta da competição é enorme. Um bom exemplo foi a receção que teve Mahrez, na chegada ao estádio antes do jogo com a Serra Leoa, da primeira jornada do Grupo E: centenas de pessoas à espera em delírio do jogador do Manchester City. Para evitar que a confusão se repetisse após o jogo, Mahrez deixou o estádio por uma porta secundária e num carro à civil, enquanto os companheiros voltaram para o hotel no autocarro da seleção.

 

Patrocinados