Área ardida este ano em Portugal já supera valores totais de 2021

15 jul, 10:24
onda de calor, incêndios, Ansião. 14 julho 2022. Foto: Octavio Passos/Getty Images

REVISTA DE IMPRENSA. Já arderam este ano mais de 30 mil hectares de terreno, o valor mais alto desde 2017

A semana tem sido marcada por incêndios que estão a deixar um rasto de destruição um pouco por todo o país e, com as temperaturas elevadas e o vento instável previstos, é muito provável que a situação se mantenha nos próximos dias. Mas os dados disponíveis quanto aos hectares de terreno ardidos este ano são já preocupantes. 

Segundo dados Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) divulgados na edição desta sexta-feira do jornal Público, já arderam este ano 30.513 hectares de terreno, um valor que ultrapassa o total da área ardida no ano passado, e que representa, aliás, o valor mais alto desde 2017, ano que ficou marcado pelo trágico incêndio de Pedrógão Grande.

Importa realçar, contudo, que o ano 2021 teve valores muito baixos quando comparados com a média da década, com o total da área ardida a rondar os 28 mil hectares.

Apesar dos vários incêndios registados esta semana, Paulo Fernandes, especialista em fogos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), assinala, em declarações ao Público, que houve alguma evolução nos últimos anos e que a tragédia de 2017 está a proteger agora o país de um cenário pior.

"Mesmo nestas circunstâncias, temos tido menos incêndios do que no ano passado. Há uns anos, teríamos 300, 500 ignições por dia. Houve uma evolução positiva no comportamento das pessoas", salienta.

Além disso, o especialista acrescenta que muitas destas ignições têm ocorrido no litoral, onde a preocupação está mais centrada na população do que propriamente com a vegetação, que "é mais descontínua, mais interrompida, o que torna os fogos mais pequenos".

É certo que "são perigosos na mesma, porque são zonas onde há muito a proteger, mas em territórios onde os incêndios não costumam ser muito grandes". "Se fosse para o interior, onde a paisagem é diferente, com floresta contínua, seria bem diferente", conclui.

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