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Portugal em situação de alerta. Este é o balanço dos incêndios: preocupação em Vila Real, Ponte da Barca dominado

Wilson Ledo , Artigo em constante atualização
3 ago 2025, 11:20

Em Ponte da Barca o fogo estava ativo há mais de uma semana. Em Sabrosa obrigou a evacuar um lar de idosos na última noite. Em Vila Cova, já neste domingo, houve quem tivesse sido retirado de casa por precaução

Portugal continental está agora em situação de alerta devido ao risco de incêndio. Ao início da tarde, existiam mais de 1.980 operacionais, apoiados por mais de 600 meios terrestres e 22 meios aéreos a combater 90 incêndios.

Os incêndios que mais preocupam as autoridades são os de Vila Real. Depois de uma semana, o fogo em Ponte da Barca, em Viana do Castelo, foi dado com dominado.

Torgueda, Siralhelhos e Vila Cova (Vila Real): do controlo à evacuação

A meio da manhã deste domingo surgia a informação sobre dois incêndios a lavrar numa área de pinhal e mato em Torgueda e Siralhelhos, em Vila Real. Para o local foram mobilizados mais de 220 operacionais e 10 meios aéreos. À Lusa, o comandante dos bombeiros da Cruz Branca de Vila Real, Orlando Matos, referia que estes fogos estavam a causar preocupações, tendo pontos muito quentes.

Em Torgueda, o receio era de que as chamas avancem em direção às aldeias de Granja e Bisalhães, localidades onde estavam a ser posicionados meios de combate. Contudo, ao final da manhã, o autarca referia que o fogo em Arrabães (pertencente a Torgueda) estava “em fase de consolidação”, não inspirando “grande perigo”.

No fogo de Siralhelhos havia duas frentes ativas, uma das quais lavrou em pinhal em direção a Gontães. O autarca Alexandre Favaios referiu a presença de 110 homens, 30 viaturas e sete meios aéreos. À tarde, eram já quase centena e meia de operacionais, apoiados por 40 meios terrestres e 13 aéreos. Não há, até ao momento do balanço, nem aldeias nem bens em risco.

Questionado sobre a origem do incêndio, o presidente da câmara recordou apenas que a ignição se deu “às 11 da noite em Sirarelhos”. Ou seja, admitiu mão criminosa.

Pelo meio-dia chegava a indicação de que o vento forte empurrou estas chamas para a aldeia de Vila Cova. Foram posicionados meios para proteger habitações e pedido a alguns residentes que saíssem das suas casas de forma preventiva. Os idosos foram levados para o centro da aldeia, junto da igreja paroquial, com o apoio de outros populares.

A população queixa-se de que os terrenos, sem limpeza, são do Estado. Ao início da tarde, eram visíveis chamas em vários pontos à volta da aldeia. Ou seja, a aldeia estava cercada pelo fogo. O vento tem-se mostrado um obstáculo ao combate, mudando rapidamente o rumo do fogo.

Em Gontães, uma capela chegou a estar ameaçada pelas chamas durante a tarde. Contudo, a intervenção de um meio aéreo impediu o pior. À distância, populares choravam por ver este símbolo de fé em risco.

Sabrosa (Vila Real): depois do susto, controlado

Este incêndio deflagrou este sábado por volta das 14:30. Começou em São Cibrão, acabando por alastrar ao concelho de Sabrosa.

Pela meia-noite, tinha duas frentes ativas. Mobilizava este domingo, também já durante a tarde, cerca de 300 operacionais, apoiados por uma centena de veículos terrestres e um meio aéreo.

Três bombeiros ficaram feridos sem gravidade, sendo transportados para o Hospital de Vila Real com queimaduras superficiais.

Também 19 idosos foram retirados do lar de São Martinho de Anta. Parte destes idosos passou a noite na Santa Casa da Misericórdia de Sabrosa. Os restantes no Mercado de Produtos Durienses.

Em Sabrosa, as chamas rapidamente ameaçaram as casas. Os moradores relataram que o fogo mudou de direção em segundos.

Na manhã deste domingo, José Requeijo, segundo-comandante da sub-região do Douro fez um novo ponto de situação. Falou num “cenário bastante favorável” à custa de um “trabalho muito eficaz das equipas durante a noite, apoiadas por quatro máquinas de rastro”.

Havia, contudo, ainda “alguns pontos quentes” que preocupavam e impediam um domínio do incêndio. Nesta fase, 80% do perímetro encontrava-se já dominado. Ainda assim, as autoridades receiam que as condições meteorológicas “adversas”, como ventos fortes, possam contrariar este cenário.

Pelas 11:00, o presidente da Câmara de Vila Real Alexandre Favaios realçava que a situação estava "estabilizada".

Celorico de Basto: fogo mobiliza mais de 250 operacionais

Um incêndio que lavra desde sábado em Celorico de Basto, no distrito de Braga, continua ativo e a mobilizar mais de 250 bombeiros, indicou o comando sub-regional de operações de socorro do Tâmega e Sousa.

Numa publicação nas redes sociais, o Município de Celorico de Basto dá conta de que o local é “de muito difícil acesso e povoado de plantas invasoras” e que, com “as temperaturas muito elevadas, com baixa humidade, tornaram o combate dos meios presentes no terreno muito difícil”.

Fonte do comando sub-regional de operações de socorro do Tâmega e Sousa indicou à Lusa, cerca das 18:45, que o incêndio “continua ativo desde ontem [sábado]”.

De acordo com o site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, no terreno estão 265 operacionais, 80 meios terrestres e três meios aéreos.

O incêndio teve início em Lourido, freguesia de Arnoia.

Ponte da Barca: uma semana depois, dominado

O fogo de Ponte da Barca, que já lavra há mais de uma semana, não ameaça habitações. Foi dado como dominado ao final da manhã deste domingo, segundo revelou o comandante da Proteção Civil, Elísio Oliveira

Na manhã deste domingo mobilizava mais de 500 operacionais, apoiados por cerca de 170 viaturas e três meios aéreos. No combate, os responsáveis salientaram que a ação dos meios aéreos tem de ser feita com critério face às difíceis condições de acesso.

Ainda assim, segundo o comandante Elísio Oliveira, será mantido "todo o dispositivo no terreno" devido à possibilidade de reativações.

Este incêndio consumiu mais de seis mil hectares do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Pelo menos 35 bombeiros feridos na última semana

Refira-se que os incêndios da semana passada feriram 35 bombeiros a nível nacional. Um dos casos mais graves, revelado pela Liga de Bombeiros, foi o de um bombeiro que sofreu queimaduras na cara e nos braços em Penafiel.

Portugal entrou este domingo em situação de alerta, que se mantém até quinta-feira. As autoridades estão de prevenção e há várias proibições aplicadas.

Este domingo, as temperaturas máximas previstas vão dos 28 graus em Aveiro aos 42 graus em Santarém e Évora.

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