Incêndios 40 vezes mais, ondas de calor 200. Probabilidades destes fenómenos em Portugal aumentam por causa das alterações climáticas

Agência Lusa , MMC
16 set 2025, 20:32
Incêndio em Arouca (LUSA)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

O estudo conta que as grande ondas de calor, que antes da revolução industrial seriam esperadas menos de uma vez em cada 2.500 anos, ocorrem esta atualmente nos dois países, em média, a cada 12 anos

As alterações climáticas aumentaram 40 vezes a probabilidade de incêndios florestais em Portugal e Espanha, sendo as ondas de calor 200 vezes mais prováveis agora, alerta um estudo divulgado esta terça-feira.

O estudo, da responsabilidade da parceria académica “World Weather Attribution“, com a Cruz Vermelha Portuguesa, concluiu que os grandes incêndios em Portugal e Espanha foram “substancialmente amplificados” pelas alterações climáticas, que potenciam as condições meteorológicas quentes, secas e ventosas.

Os autores do trabalho, que se focou na região noroeste da Península Ibérica, afirmam que as condições meteorológicas propícias a incêndios são agora mais prováveis e cerca de 30% mais intensas do que no período pré-industrial.

As grande ondas de calor, que antes da revolução industrial seriam esperadas menos de uma vez em cada 2.500 anos, ocorrem atualmente nos dois países, em média, a cada 12 anos. Ou seja, dizem, as alterações climáticas tornaram-nas cerca de 200 vezes mais prováveis e cerca de 3 °C (graus celsius) mais intensas.

A análise agora divulgada, baseada em observações meteorológicas e em métricas de risco de incêndio, “mostra que eventos que antes seriam extremamente raros passaram a ocorrer com muito maior frequência, tornando os grandes incêndios mais prováveis e mais intensos”.

Mas também diz que além do aquecimento global há outros fatores que aumentam a frequência dos incêndios, como a migração das últimas décadas de populações rurais para áreas urbanas, o abandono agrícola e a acumulação de biomassa (que aumentam a quantidade de combustível disponível), e práticas de gestão insuficientes.

Os investigadores recomendam medidas preventivas estruturadas e de gestão do território local (gestão de combustível, pastoreio, queimadas controladas, limpeza mecânica) e “políticas públicas ambiciosas de adaptação e mitigação das emissões” (transição energética).

Portugal perdeu mais de 260 mil hectares nos incêndios deste ano, cerca de 3% da superfície terrestre nacional e quase três vezes a média anual. Em Espanha, mais de 380 mil hectares foram queimados – quase cinco vezes a média anual.

A área queimada na Península Ibérica representa cerca de dois terços da área total queimada na Europa, que ultrapassou um milhão de hectares em agosto pela primeira vez, desde o início dos registos, em 2006, destacam os autores da investigação.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

País

Mais País