A este propósito, um comandante dos bombeiros condena o facto de os meios aéreos terem sido destacados "tardiamente" para os incêndios, o que pode ter tido impacto na situação atual. Ainda sobre os meios aéreos: "Porque é que um autarca teve de pedir um favor em direto numa televisão para os meios aparecerem e só aí é que eles apareceram?", questiona o comandante
Maria Lúcia Amaral defendeu hoje que é irrelevante o número de meios aéreos de combate a incêndios, uma vez que o que está a causar "dificuldade aos operacionais" nos fogos em curso são as características do terreno.
À saída de uma reunião na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Oeiras, a ministra da Administração Interna sublinhou que, olhando aos incêndios que mais afligem as autoridades neste momento, "a existência de 72 ou 76 ou 80 meios aéreos" seria irrelevante, "porque o que causa dificuldade aos operacionais é o caráter extremamente acidental da orografia, a dificuldade de acesso".
"A complexidade das operações e do combate é tal que não ajuda nada estar a saber quantos meios aéreos temos, se faltam muitos, se não faltam muitos. E, de facto, não faltam", acrescentou.
De acordo com a governante, atualmente estão "imediatamente disponíveis" 72 meios aéreos.
Questionada sobre o que é que tem falhado no combate aos incêndios, Maria Lúcia Amaral respondeu que "falha o que falha".
"Falha que não queríamos nada que isto acontecesse no nosso país, como não queríamos nada que isto acontecesse no resto do sul da Europa. O que é um facto é que está a acontecer", afirmou, sustentando que o que é necessário compreender "é a raiz desses incêndios".
Avisando que todos têm de contribuir para que estes não ocorram, a ministra apelou à população que mude "práticas ancestrais", como a realização de queimadas para proteger a casa dos incêndios.
Maria Lúcia Amaral alertou ainda que, por exemplo no incêndio de Arouca, que está a preocupar as autoridades, há imagens de fogo-de-artifício ao fundo quando o fogo começou.
Na reunião de hoje com o presidente da ANEPC, José Manuel Moura, participou ainda o primeiro-ministro, que apelou igualmente à "colaboração de todos" na luta contra os incêndios.
"Este é um combate de todos, que precisa da colaboração de todos e, para esse efeito, todos devemos seguir as orientações que as autoridades vão emitindo", disse Luís Montenegro, assegurando que todo o dispositivo de combate a fogos está, "neste momento, de prontidão".
Ministra "expressou-se mal" ao dizer que o números de meios aéreos nos incêndios "é irrelevante"
Se os meios aéreos são assim tão irrelevantes, porque é que estão a ser utilizados em todos os grandes incêndios atualmente em curso? O comandante Jorge Mendes, em declarações à CNN Portugal, considera que a ministra "se expressou mal".
"A ministra queria dizer que são irrelevantes devido à falta de visibilidade e ao facto de as zonas serem rochosas."
O comandante dos bombeiros explica ainda que, devido às temperaturas extremamente elevadas nos locais de incêndio, a água evapora "quando chega lá abaixo", o que acaba por não produzir muito efeito. No entanto, isso não significa que sejam irrelevantes, significa que é preciso saber quando e como os usar, defende.
Jorge Mendes reconhece as dificuldades do terreno, em especial no incêndio de Arouca, onde estão mais de 600 operacionais, e considera que a governante não queria "desvalorizar" o papel dos meios aéreos numa fase crítica da época de incêndios.
No entanto, questiona porque é que se, "de facto, não faltam" meios aéreos, tal como a ministra afirmou, "porque é que um autarca teve de pedir um favor em direto numa televisão para os meios aparecerem e só aí é que eles apareceram?", referindo-se ao presidente da Câmara de Ponte da Barca.
Jorge Mendes condena, por outro lado, o facto de os meios aéreos terem sido destacados "tardiamente" para os incêndios, o que pode ter tido impacto na situação atual.