Governo e autarcas da serra da Estrela reúnem-se para avaliar prejuízos do incêndio e definir apoios

Agência Lusa , BC
22 ago, 06:49
Na imagem, bombeiros combatem o incêndio em Celorico da Beira, Guarda. Foto: Nuno André Ferreira/Lusa

Autarcas da região exigem ativação do estado de calamidade, mas o Governo ainda não deu resposta

O Governo reúne-se esta segunda-feira, em Manteigas, com os presidentes de câmara dos cinco concelhos mais afetados pelo incêndio da serra da Estrela, para avaliar os prejuízos causados e definir medidas de apoio.

Segundo informação do gabinete da ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, o objetivo do encontro com os municípios da Covilhã (distrito de Castelo Branco), Guarda, Manteigas, Celorico da Beira e Gouveia (distrito da Guarda) é “avaliar as necessidades e respostas integradas para estes concelhos” na sequência do “maior incêndio florestal ocorrido este ano no país”, incluindo “apoio às famílias, às empresas e à reabilitação das zonas afetadas”, em pleno parque natural.

Pelo Governo, estarão presentes os ministros da Presidência, da Administração Interna, José Luís Carneiro, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes.

O incêndio na serra deflagrou no dia 6 de agosto na Covilhã e foi dado como dominado no dia 13, mas sofreu uma reativação dois dias depois. Foi considerado novamente dominado na noite de quarta-feira, dia 17, onze dias depois.

Devido ao seu impacto, com a destruição de cerca de 25 mil hectares, de acordo com dados preliminares avançados pelas autoridades, os autarcas dos concelhos atingidos exigiram a ativação do estado de calamidade, um apelo ainda sem resposta.

A Proteção Civil deu conta de que foi contabilizada a perda de duas casas e até às 12:00 de quinta-feira foram registados 24 feridos ligeiros e três graves, que entretanto já tiveram alta hospitalar. Houve ainda cerca de cinco dezenas de assistências médicas no terreno.

Na quinta-feira, a Estrelacoop – Cooperativa de Produtores de Queijo da Serra da Estrela disse que “obrigatoriamente”, vai ter de haver uma valorização do preço do leite das ovelhas bordaleiras, a principal raça ovina leiteira de Portugal, enquanto a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela (ANCOSE) referiu que foi identificada, até à data, a necessidade de apoio a 12 pastores dos concelhos de Gouveia e Celorico da Beira, no âmbito de um levantamento que decorre e que foi pedido pelo Ministério da Agricultura.

O presidente da ANCOSE, Manuel Marques, manifestou-se “muito preocupado” com as consequências no setor da pastorícia, alertando para a possibilidade de estar em risco a produção do queijo da região.

No âmbito da recuperação, a associação cultural Amigos da Serra da Estrela já veio dizer também que é urgente "identificar as zonas de elevado risco de erosão e danos físicos e materiais" e fazer barreiras com material lenhoso.

José Conde, biólogo do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (estrutura da Câmara de Seia), considera que houve “um dano enorme da biodiversidade” desta zona classificada pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com a perda de muitos e diversos habitats.

Segundo o especialista, ao nível da flora, as chamas afetaram, por exemplo, azinheiras, castanheiros, carvalhos ou caldoneiras (importante habitat para várias comunidades de insetos, répteis e aves)

Répteis como a víbora cornuda, o sardão, ou espécies de grilos e escaravelhos que apenas existem na serra da Estrela, assim como pequenos carnívoros como as fuinhas e as ginetas, terão sido afetados.

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