Mais de 1.300 operacionais combatem os principais fogos em Portugal na manhã desta quarta-feira
Quatro bombeiros voluntários de Arouca ficaram esta quarta-feira feridos na sequência do despiste do veículo de combate a incêndios em que seguiam na zona onde lavra um fogo desde segunda-feira, disse à Lusa o comandante Ricardo Fradique.
Uma atualização a meio da manhã permitiu perceber a gravidade dos ferimentos: três dos quatro bombeiros sofreram ferimentos graves, disse à Lusa o comandante Ricardo Fradique.
O quarto bombeiro sofreu ferimentos ligeiros, mas foram todos transportados para o Hospital de Santa Maria da Feira, adiantou Ricardo Fradique, do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Aveiro
O responsável precisou à Lusa que os ferimentos sofridos são fraturas diversas.
O veículo de combate a incêndios despistou-se perto do incêndio de Arouca, numa zona de difícil acesso na localidade de Pedrógão.
O alerta para o despiste do carro de combate a incêndios dos Bombeiros Voluntários de Arouca no lugar de Pedrogão, na freguesia de Moldes, em Arouca, foi dado às 03:52 e às 06:45 estavam no local 15 operacionais, com o apoio de seis veículos.
Ponto de situação
Há, na manhã desta quarta-feira, três grandes incêndios ativos em Portugal.
No total, mais de 1.300 operacionais combatem os fogos.
É em Torre de Moncorvo que a situação é mais preocupante. O fogo, que deflagrou no sábado, mantém três frentes ativas e alastrou para Carrazeda de Ansiães. Mais de 600 bombeiros combatem as chamas, apoiados por cerca de 170 meios terrestres e oito meios aéreos.
Também em Arouca – como vimos acima - as chamas não dão tréguas e estão a avançar cada vez com maior intensidade. Havia quatro frentes ativas e seis aldeias estão na linha de fogo. Há quase 500 bombeiros no teatro de operações, apoiados por mais de 160 veículos e nove meios aéreos.
Num balanço feito na terça-feira à noite, fonte da câmara de Arouca referia que as aldeias de Bouceguedim, Rio de Frades, Cando, Pedrógão, Tebilhão, Cabreiros e Covêlo de Paivó estavam na linha do fogo, mas sem correr perigo.
Já em Santo Tirso, duas frentes de fogo permanecem ativas, com habitações vigiadas. Os operacionais estão otimistas que a situação evolua de forma positiva nas próximas horas. São 200 os bombeiros no terreno, com mais de 60 veículos.
Perigo máximo de incêndio
Cerca de 60 concelhos do interior Norte e Centro enfrentam esta quarta-feira perigo máximo de incêndio.
Há ainda 90 municípios em perigo muito elevado e 40 em risco elevado.
No entanto, a situação vai melhorar ao longo da semana devido à descida de temperaturas que está prevista.
Área ardida quatro vezes inferior a 2025
Este ano, a área ardida em Portugal é cerca de quatro vezes inferior à registada no mesmo período de 2025. Ainda assim, o número de incêndios aumentou 13%.
Desde janeiro, foram registados mais de 6.570, que consumiram mais de 60 mil hectares de mato e floresta. É o quinto pior ano da década em área ardida.
O Norte concentra a maior área destruída, com quase 35 mil hectares, seguido do Centro, com mais de 20 mil.
As principais causas dos incêndios investigados estão relacionadas com o uso do fogo, acidentes e incendiarismo.
Os dados oficiais mostram ainda que mais de metade dos fogos e da área ardida ocorreram em dias classificados com risco de incêndio moderado ou baixo.
