Augusto Marinho está num local sempre a pensar em todos os outros, num incêndio que arde desde sábado e tem quatro frentes ativas
Ponte da Barca está a arder desde a noite de sábado e a população está farta. Em declarações à CNN Portugal, o presidente da Câmara Municipal lamenta que não se ouçam os apelos de ajuda para combater um “fogo muito imprevisível” que “tem ameaçado constantemente casas”.
Augusto Marinho, autarca do PSD, falou a partir de um local onde muitas casas chegaram a estar ameaçadas, referindo que há muita coisa a falhar há muitos dias.
“Já chega. Eu ando há muitos dias a solicitar meios aéreos de apoio às forças terrestres”, afirmou, dois dias depois de a ministra da Administração Interna ter dito que o número de meios aéreos era “irrelevante” para os incêndios atualmente ativos.
O autarca de Ponte da Barca discorda, referindo que o fogo só não é pior por causa da intervenção de alguns helicópteros e aviões.
“Dada a extensão do fogo e a morfologia do território, as temperaturas e o vento, quer intensidade, quer direção, temos um fogo muito instável”, apontou, explicando que os incêndios podem agravar-se em questão de segundos.
Augusto Marinho não percebe porque é que, existindo, os meios aéreos não estão ao dispor da população. Se eles não existem, então Portugal deve acionar os mecanismos que os disponibilizem, nomeadamente junto da União Europeia.
“A população está sobressaltada, não é fácil entrar na casa das pessoas e pedir para saírem a meio da noite. Crianças, idosos… já chega! Isto tem de ter um ponto final. É um sentimento de revolta, porque andamos a correr para proteger as pessoas e as habitações”, acrescentou, explicando que está num local a pensar em outro.
Perante a dimensão do fogo, que tem quatro frentes ativas, Augusto Marinho admitiu que é “muito duro o que está a acontecer”, com reacendimentos imprevisíveis que ganham força de repente e acabam por ameaçar casas. E é por isso que o cansaço começa a tomar conta da população: "Trata-se da vida das pessoas, das habitações das pessoas", sublinhou, a partir de um local onde as chamas estão apenas a 50 metros de casas.
O incêndio que deflagrou no sábado em Ponte da Barca já consumiu cerca de seis mil hectares do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), sendo que as chamas estão ainda por controlar.
O incêndio começou no sábado à noite em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, e alastrou na quarta-feira ao concelho de Terras de Bouro, no distrito de Braga.
Pelas 11:00, o comandante sub-regional do Ave da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) revelou que, deste incêndio, continuam quatro frentes ativas: três no concelho de Ponte da Barca e uma em Terras de Bouro, a que estava a causar mais preocupação.
Augusto Marinho salientou que “a principal preocupação é deter o fogo antes de chegar às aldeias de Sobredo e Lourido”.
“É preocupante a imprevisibilidade deste fogo, que rapidamente pode ameaçar pessoas e as suas habitações. Em Germil, o fogo está controlado e a evoluir favoravelmente, mas nas aldeias de Sobredo e Lourido é importante travar as chamas. Daí a importância de manter os meios aéreos permanentemente a apoiar os operacionais que estão no terreno, para podermos proteger de forma eficaz as aldeias”, referiu o social-democrata.
De acordo com informação no site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), às 14:06 o fogo mobilizava 508 operacionais, apoiados por 163 viaturas e seis meios aéreos.
Na quarta-feira à noite, cerca de 150 habitantes das aldeias de Britelo, Sobredo, Germil e Lourido foram retiradas das suas habitações, por razões de segurança, face à proximidade das chamas, tendo entretanto regressado durante a manhã.
“Quero deixar uma palavra de agradecimento às populações porque não é fácil nestes cenários [largar] as suas casas, as suas vidas, mas compreenderam e respeitaram a medida, até pela necessidade face ao fumo intenso que se fazia sentir”, destacou.
Augusto Marinho desejou “as rápidas melhoras aos 19 operacionais feridos durante o combate ao fogo que lavra há seis dias, sendo que seis tiveram de receber tratamento hospitalar”.
“A informação que tenho é que estão todos bem”, frisou.