Região de Gironde, conhecida internacionalmente pelos seus vinhos e extensas áreas florestais, enfrenta um dos maiores incêndios registados em França desde a Segunda Guerra Mundial
Os incêndios florestais que assolam o sudoeste de França continuam a ganhar dimensão e mantêm as autoridades em estado de alerta máximo. Nas últimas horas, cerca de 55 mil pessoas foram retiradas de localidades da região de Gironde, enquanto as chamas avançam de forma imprevisível em direção à área metropolitana de Bordéus, uma das principais cidades francesas.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, classificou a situação como "muito desfavorável", sublinhando que o comportamento do fogo é altamente instável.
A região de Gironde, conhecida internacionalmente pelos seus vinhos e extensas áreas florestais, enfrenta um dos maiores incêndios registados em França desde a Segunda Guerra Mundial. Só no sudoeste do país já arderam cerca de 42 mil hectares, enquanto, desde o início do ano, a área consumida pelas chamas ultrapassa os 98 mil hectares em território francês.
No total, mais de 220 mil pessoas tiveram de abandonar as suas casas no sudoeste de França devido ao avanço dos incêndios.
Fogo cria "os seus próprios ventos"
As condições meteorológicas continuam a dificultar o combate às chamas. Segundo Nicolas Braz, um dos responsáveis pela operação de combate ao incêndio, o fogo tornou-se praticamente impossível de controlar.
"O incêndio gera os seus próprios ventos, incluindo redemoinhos. O comportamento é errático e incontrolável", afirmou.
As altas temperaturas, a vegetação extremamente seca e o vento forte alimentam uma frente de fogo que continua a expandir-se rapidamente.
Na localidade costeira de Le Porge, uma das mais afetadas, mais de 150 casas foram destruídas. A população organizou uma rede de voluntários para apoiar os bombeiros, preparando refeições e disponibilizando locais para descanso entre os turnos.
A crise estende-se à vizinha Espanha, onde os incêndios continuam ativos em várias regiões. Mais de 90 mil pessoas foram retiradas nas zonas de Madrid e Ávila.
De acordo com a ministra espanhola para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, o país já contabiliza cerca de 77 mil hectares ardidos, sendo o incêndio na província de Ávila considerado o maior da história recente de Espanha.
"O pior incêndio da história"
Durante a madrugada de domingo abriu ainda uma nova frente de incêndio na região de Valência.
O presidente regional, Juanfran Pérez Llorca, admitiu que o fogo ultrapassou a capacidade dos meios de combate disponíveis, enquanto as previsões de temperaturas elevadas e baixa humidade aumentam o receio de uma rápida propagação.
Até ao momento, foi registada uma vítima mortal civil na região de Valência. Em França, dois bombeiros perderam a vida esta semana durante as operações de combate às chamas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reconheceu que o país enfrenta "horas difíceis", embora tenha referido existirem sinais positivos durante a noite no esforço para controlar alguns focos ativos. Defendeu ainda um "grande pacto público para responder à emergência climática".
Já a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, classificou a situação como "o pior incêndio da história da região".
Na região francesa de Gironde estão, ao momento, mobilizados cerca de 2.500 bombeiros, apoiados por equipas internacionais, incluindo operacionais suíços, além de 1.500 militares e quase 1.200 agentes policiais e da Gendarmaria, responsáveis pelas evacuações e pela segurança das zonas afetadas.
O avanço das chamas obrigou ainda ao encerramento de cerca de 60 quilómetros da autoestrada A63, principal ligação entre Bordéus e Espanha.
No setor da aviação, o Aeroporto de Bordéus registou atrasos generalizados e vários cancelamentos devido às restrições impostas ao tráfego aéreo para facilitar as operações dos meios aéreos de combate aos incêndios.
Também o desporto foi afetado. A última etapa do Tour de France, disputada este domingo em Paris, foi encurtada para permitir o destacamento de forças de segurança para as operações de combate aos incêndios.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, garantiu que o Estado continuará a apoiar as populações afetadas e prometeu que França "vai reconstruir" as áreas devastadas pelas chamas.
