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Há um incêndio que preocupa mais que todos os outros e Proteção Civil deixa apelo: "Não usem o fogo"

29 jul 2025, 12:21
Incêndio Arouca


 

Sete pessoas já tiveram de ser assistidas por causa dos vários incêndios que lavram em Portugal

A Proteção Civil fez, esta terça-feira, um balanço da situação operacional dos incêndios a lavrar em Portugal, dando conta que "50,8% das ocorrências são noturnas" e que "Arouca é o incêndio que preocupa mais".

Mário Silvestre, comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, referiu que "a capacidade demonstrada tem sido de excelência e as condições meteorológicas extremamente complicadas", sendo que nos últimos dias foram registadas 175 ocorrências e "da meia noite às 08:00 desta terça-feira houve 39 ocorrências".

"Em termos de ocorrências, do dia 28 e até às 11:00 do dia de hoje, temos a registar 175 ocorrências. No dia 28, 124 e no dia 29 até às 11:00, 51. De destacar que 50.8% das ocorrências nestes dois dias e até ao momento são ocorrências noturnas e, portanto, só no dia de hoje, desde a meia-noite do dia de hoje e até às 8 da manhã, temos a registar 39 ocorrências no período noturno e, como é óbvio, tudo isto contribui para um esforço significativo do dispositivo". 

As principais ocorrências continuam a ser os incêndios do Lindoso, de Penamacor e de Arouca, sendo que os dois primeiros "estão com uma situação bastante controlada" e as autoridades esperam dar Penamacor como dominado "em algumas horas".

"O incêndio de Lindoso começou no sábado,  e teve 1.100 metros de velocidade de propagação por hora. Ou seja, numa hora arderam 120 hectares. Até às 08:00 de hoje a área total ardida era de 2 mil hectares. Está estabilizado, mas tem algumas zonas criticas", afirmou. 

Já Penamacor tinha, às 08:00 desta terça-feira, "apenas 30% do incêndio ativo", sendo que "é um incêndio de vento, completamente dominado pelo vento" e que chegou a ter uma velocidade de propagação de 3,5km por hora.

"O incêndio de Arouca é o incêndio que, neste momento, nos preocupa mais, é um incêndio que tem início em três ocorrências consecutivas. primeiras duas ocorrências, o dispositivo teve uma eficácia muito boa e conseguiu debelá-las, mas a terceira ocorrência, na zona de Espiunca, acabou por ser uma ocorrência, mais uma vez, com uma velocidade de propagação elevada e com taxa de expansão também elevada. É uma zona que se caracteriza por um incêndio que se desenvolve numa zona de eucaliptal adulto, com ovales encaixados e com orografia muito complicada, o que dificulta muito o combate. Para termos uma noção daquilo que estamos a falar, este incêndio está a libertar uma energia de aproximadamente 20.000 kWm de energia libertada. Para termos noção do que é que este valor significa, o dispositivo de combate terrestre diz-se que está dentro da capacidade de extinção, o incêndio, quando o incêndio liberta até 4.000 kWm de energia. Está fora da capacidade de extinção em muitas das suas zonas".

Segundo Mário Silvestre, sete pessoas (5 operacionais, 2 civis) tiveram de ser assistidas, sendo que seis receberam tratamento hospitalar. O comandante nacional de Emergência e Proteção Civil deixou ainda um apelo à população para que não use o fogo. 

"Não usem o fogo. Temos incêndios onde o uso do fogo por parte da população acabou por nos criar mais problemas. Portugal tem a paisagem que todos nos conhecemos. O único fator que vamos conseguir controlar é o comportamento humano. Não podemos ter durante uma noite ter 39 ocorrências", apelou.

Mário Silvestre deu ainda conta que, "até ao momento, em termos de declaração de alerta, o município de Cascais e o município de Sintra declararam alerta no âmbito daquilo que é as suas competências próprias, dos seus presidentes de Câmara, e foram também ativados os planos municipais de emergência e proteção civil de Castelo de Paiva, Arouca, Penamacor e Idanha-a-Nova".

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