Recordes negativos estão a ser batidos todos os dias nos dois países, que têm à frente uma pequena janela de oportunidade para evitar que tudo fique ainda pior
Há otimismo em Espanha, mas a situação continua complexa e os constantes reacendimentos estão a frustrar o trabalho dos milhares de operacionais que vão tentando conter o maior incêndio da região de Madrid.
O objetivo agora é aproveitar a “janela de oportunidade” dada pelo acalmar do vento. De acordo com o delegado do governo regional, Francisco Martin, são horas decisivas antes de tudo ficar pior novamente.
É que quarta-feira chega mais uma onde de calor que vai funcionar como o combustível ideal para que apareçam novos fogos e que se intensifiquem os que já estão ativos.
O mesmo é válido para França, que atravessa uma situação sem precedentes, com recordes negativos batidos em toda a alinha. De acordo com as autoridades, até 22 de julho registaram-se 317 incêndios florestais, um número que já está acima de todos os anos anteriores.
A dimensão dos números ajuda a perceber os 116 mil hectares ardidos nos primeiros sete meses do ano, outro recorde em França, onde os vários fogos à volta de Bordéus continuam incontroláveis.
Os números foram dados pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e significam uma área ardida que é o equivalente a 11 vezes o tamanho de Paris.
E tal como em Espanha, França também vai ser afetada pela onda de calor que chega a meio da semana. Aqui ao lado os termómetros devem variar entre os 37 e os 42 graus em praticamente todo o país.
O que se vive nos dois países é, assim, uma autêntica corrida contra o tempo, até porque de acordo com a AEMET, a agência meteorológica de Espanha, o perigo de incêndio vai “subir para níveis extremos”.
“É uma corrida contra o tempo antes de a onda de calor regressar”, afirmou o autarca de Centas, nos arredores de Bordéus.
Até lá as dificuldades são o vento forte e que muda constantemente de direção e os pirocúmulos, autênticas nuvens de fogo que se movem a grande velocidade e atrapalham a tarefa dos operacionais.
São como tempestades dentro dos incêndios e que são causadas por fogos, vulcões ou até bombas nucleares, resultando numa maior velocidade para as chamas.
À falta de melhores palavras, a descrição para o que se está a passar em Espanha e França explica-se bem nas palavras de Rocio Dominguez, uma residente de Madrid que falou à agência AP depois de ter sido obrigada a fugir de casa.
“Parecia o apocalipse. Não podíamos ver nada. Estava tudo coberto por cinzas.”
