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Polémica com fogo de artifício e aldeias cercadas pelas chamas: foi assim o primeiro dia de Portugal em alerta

Beatriz Céu , artigo em atualização
3 ago 2025, 21:50

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Empurradas pelo vento, as chamas em Vila Real cercaram aldeias e aproximaram-se das casas. Em Amarante, os moradores receiam o pior de um incêndio que deflagrou esta tarde: "Vai ser uma noite sempre a vigiar"

Este domingo foi um dia “particularmente exigente” para os bombeiros que combatiam os fogos no distrito de Vila Real, como descreveu o autarca Alexandre Favaios, que denunciou mesmo que o território foi alvo de “um ataque” com ignições.

Depois de uma noite de susto em Sabrosa, com as chamas a ameaçarem habitações e a obrigarem à evacuação de um lar de idosos, durante a manhã as coisas voltaram a complicar-se, com o vento forte a empurrar o fogo para Gontães e Vila Cova, chegando ao concelho de Mondim de Basto.

“Depois de ter existido aqui alguma acalmia, o vento tem levado a que o incêndio se tenha propagado com alguma intensidade. Ele já entrou no território do concelho vizinho de Mondim, onde já estão também a ser posicionados alguns meios para facilitarem de forma articulada o combate”, afirmou o presidente da Câmara de Vila Real, em declarações aos jornalistas na aldeia de Gondães.

Empurradas pelo vento, as chamas chegaram a aproximar-se das casas, o que obrigou a que as autoridades tivessem de “solicitar de forma preventiva a retirada de algumas pessoas das habitações”, explicou o autarca. A aldeia de Gondães ficou rodeada pelas chamas e a capela de Nossa Senhora de Fátima, situada numa encosta, chegou a estar em perigo, mas os operacionais conseguiram intervir a tempo.

Pelas 17:30, estavam cerca de 180 operacionais no terreno, apoiados por 53 viaturas e 10 meios aéreos. Àquela hora, já não havia habitações em perigo. “Continuam a não existir danos em casas ou vítimas. Temos a lamentar a área florestal ardida e a produção agrícola”, apontou, lembrando que esta é uma zona de castanheiros e de produção de mel.

Em Amarante, “vai ser uma noite sempre a vigiar”

Em Fridão, aldeia em Amarante, um incêndio que pelas 20:00 mobilizava mais de 250 operacionais deixou os residentes em alerta. “Vai ser uma noite sempre a vigiar”, lamentou um morador, em declarações à CNN Portugal. 

Há receios de que o vento - que até agora não se fez sentir - arraste as chamas consigo. “Se vier de noite para sul, vai ser complicado”, desabafou o morador.

Às 22:00, o comandante dos bombeiros Rui Ribeiro dava conta de que o incêndio lavrava com três frentes ativas que "estão a ceder ao combate" dos 257 operacionais, apoiados por 75 viaturas.

Apesar de estar a "arder com muita intensidade", até ao momento "não há casas em risco". "Tivemos durante a tarde sim uma aldeia que esteve praticamente cercada, foram retiradas algumas pessoas por precaução, mas também nunca esteve nenhuma casa em risco", acrescenta.

Dominado incêndio de Celorico de Basto, mas meios mantêm-se no terreno

Em Celorico de Basto, no distrito de Braga, o incêndio que deflagrou no sábado em Lourido, na freguesia de Arnoia, e que chegou a mobilizar mais de 250 operacionais, foi dado como dominado esta tarde. 

Numa publicação nas redes sociais, o Município de Celorico de Basto deu conta que as dificuldades de acesso ao local, as temperaturas elevadas e a baixa humidade complicaram o combate ao incêndio. 

“O incêndio alastrou-se pela floresta e mato tendo sido controlado perto das populações”, adiantou o município, na mesma publicação. “A meio da tarde, o incêndio ficou dominado, mas os meios mantêm-se no terreno a fazer o rescaldo e a evitar reacendimentos”, acrescenta-se.

Fogo em Ponto da Barca dominado

O incêndio em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, também foi dado como dominado esta manhã. O fogo, que começou há mais de uma semana, foi dado como dominado pelas 10:45, adiantou o comandante da Proteção Civil, Elísio Oliveira.

Ainda assim, as autoridades decidiram “manter todo o dispositivo no terreno” devido à possibilidade de reativações. “Dentro do teatro de operações temos locais onde ainda se faz combate, temos outros locais onde estão a fazer rescaldo, em outros, consolidação do rescaldo e, grande parte do período, neste momento, temos apenas pessoal a fazer vigilância”, revelou o comandante da Proteção Civil, Elísio Oliveira.

Polémica em Marinhais: habitantes defendem tradição, bombeiros estão “revoltados”

O primeiro dia dos cinco dias de situação de alerta devido aos incêndios ficou marcado pela polémica nas Festas de Marinhais: a Comissão de Festas de Marinhais resolveu antecipar o lançamento de fogo de artifício para as 23:30 de sábado, já que a partir das 00:00 essa atividade seria proibida.

A decisão foi criticada por internautas e pelos bombeiros, que se sentiram “revoltados” com o que classificam como “uma falta de respeito” por quem está a combater os incêndios.

"Temos de dizer à população que houve um incêndio na sequência deste lançamento, fez-se deslocar três veículos e 11 operacionais e não podemos continuar a brincar aos incêndios. Esta Comissão de Festas devia ser responsabilizada, esta fatura destes homens e destas mulheres e de todos os equipamentos que foram alocados para combater o incêndio deveria ser passada a essa Comissão de Festas”, lamentou o comandante dos Bombeiros de Camarate, Luís Martins, em declarações à CNN Portugal.

Já os habitantes de Marinhais entendem que a decisão da Comissão de Festas tomou a decisão certa. “Estava tudo limpo ali à volta, não havia risco”, afirma uma moradora, em declarações à CNN Portugal. “O risco é hoje. Portanto, às 23:30 ainda era no dia”, nota, acrescentando que “o fogo foi fantástico”.

Um outro morador que prestou declarações à CNN Portugal concordou. “Não há risco porque está tudo limpo. Se fosse numa zona florestal podia haver perigo, ali não, está tudo limpo. Faz parte da tradição da terra, se não houver fogo de artifício é uma festa fraca”, afirmou.

Em declarações à CNN Portugal, o comandante Jorge Mendes assinalou que “não foi só em Marinhais” que as comissões de festas decidiram antecipar o lançamento de fogo de artifício. “Algumas deram origem a algumas ignições”, aponta.

"Não vale a pena dizerem que os bombeiros são os nossos salvadores e depois preferirem ter uma hora de festa do que uma hora de prevenção”, lamenta.

Bombeiros descansam depois de uma noite a combater o incêndio em São Martinho da Anta, Sabrosa (Pedro Sarmento Costa/LUSA)

Neste primeiro dia em situação de alerta, e com as temperaturas máximas a superarem os 40ºC, foram mobilizados, até às 17:30, perto de 1.600 operacionais, apoiados por mais de 400 veículos, para combater 80 incêndios rurais em Portugal continental, segundo dados da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

A situação de alerta mantém-se em vigor até às 23:59 de 7 de agosto, abrangendo todo o território continental, “com objetivo de reduzir o risco de ignições e reforçar a capacidade de resposta”.

Durante este período, estão proibidos o acesso a áreas florestais definidas nos planos municipais, a realização de queimadas e queimas, o uso de maquinaria em espaços rurais e florestais e o lançamento de fogo-de-artifício, independentemente de licenças.

“A ANEPC apela à colaboração da população no cumprimento das medidas em vigor e sublinha que a prevenção e o comportamento responsável são essenciais para evitar ignições e garantir a segurança de todos”, apela a proteção civil.

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