Incêndio na Guarda é "muito preocupante". Autarca fala em crime e acusa INEM de falta de resposta a um ferido

António Guimarães , notícia atualizada às 10:32 de dia 14 de agosto
13 ago, 23:12

Um homem ficou ferido por inalação de fumos. Sérgio Costa afirma que o INEM falhou no socorro

A situação na Guarda começou favorável durante este sábado, mas o decorrer do dia acabou por trazer más notícias. Num incêndio independente daquele que lavra há vários dias no Parque Natural da Serra da Estrela, as chamas cercaram Aldeia Viçosa, nas margens do rio Mondego, progredindo depois para outras localidades, como Vila Cortês.

O presidente da Câmara Municipal da Guarda admitiu que o fogo está “descontrolado” em várias zonas, e no local muita gente não consegue dormir: muitos foram retirados das suas casas, outros temem perdê-las para as chamas.

Em declarações à CNN Portugal (do mesmo grupo da TVI), o autarca da Guarda, Sérgio Costa, explicou que existem duas frentes ativas, sendo que a “constante rotação dos ventos” torna a situação imprevisível, até porque o território está muito seco.

“O fogo passou por Aldeia Viçosa e abriu duas frentes: uma em Vila Cortês e outra em Mizarela. São duas situações muito preocupantes”, disse, falando num grande dispositivo no local, que já não conta com os meios áereos, por ser de noite.

O comandante dos bombeiros sublinhou que as chamas "começam a ceder", mas previu uma "noite de muito trabalho", admitindo que o fator vento vai ser crucial.

“As chamas já começam a ceder ao combate, mas ainda nos espera uma noite de muito trabalho e tudo vai depender do vento e das direções que possa tomar ou da sua própria força. O incêndio não está controlado”, contou António Pereira.

O comandante explicou que, das duas frentes ativas do incêndio em Aldeia Viçosa, no concelho e distrito da Guarda, a “do lado direito, em Mizarela, neste momento não dá para combater, porque está numa zona onde os homens não chegam, tem de se esperar por uma janela de oportunidade para continuar o combate, mas já baixou a intensidade”.

A frente do lado esquerdo, continuou o comandante, “virada para Vila Cortês [do Mondego] continua mais ativa, mas a ceder ao combate e agora é esperar que continue a ceder e que o vento não vire” de direção.

Mão criminosa no fogo

Para Sérgio Costa não existem dúvidas: o incêndio que preocupa a população “é claramente fogo posto”. Mas Sérgio Costa aponta o dedo noutros sentidos, pedindo que se faça uma melhor vigilância da limpeza dos terrenos.

“Também devemos vigiar os pirómanos deste país. Isto não pode acontecer”, disse.

Falando depois em nome dos vários autarcas da região, que falam em prejuízos “incalculáveis para as pessoas e para a Humanidade”, Sérgio Costa lembrou os milhares de hectares ardidos só este sábado, apontando a destruição de um vale que “é muito rico em azeite”.

A possibilidade de crime tem sido admitida por todas as autoridades que acompanham os fogos que têm deflagrado na Serra da Estrela, não havendo, para já, detidos na sequência do caso.

Incêndio rápido e uma queixa

Este novo incêndio já destruiu alguns pequenos armazéns, progredindo com uma violência que não deixou margem aos operacionais: “Com estas condições e esta intensidade não era fácil debelar as chamas”, admitiu o autarca.

“A propagação deste incêndio ocorreu em meia hora. Eu verifiquei isso in loco”, acrescentou.

De resto, no caso de Aldeia Viçosa, foi a intervenção dos corpos de bombeiros que evitou, para já, que as chamas chegassem às habitações.

Visivelmente transtornado por toda a situação, e adiantando que um civil ficou ferido por inalação de fumos, Sérgio Costa acusou o INEM de mau funcionamento.

“Tivemos um ferido. Estava uma ambulância dos bombeiros presente e nestas situações é diferente, a evacuação tem de ser prioritária para feridos. Era um civil, que, entretanto, teve uma paragem cardíaca. O INEM não funcionou, a VMER não funcionou”, denunciou o autarca, explicando que teve de ser uma ambulância dos bombeiros voluntários a operar a retirada da vítima.

A CNN Portugal contactou o INEM, que garantiu que "a atuação do INEM foi a correta, tendo as decisões do CODU sido tomadas em função da avaliação realizada pelas equipas pré-hospitalares que assistiram a vítima no local".

"O Posto de Comando Operacional de Valhelhas recebeu informação sobre a existência de uma vítima do sexo masculino que apresentava falta de ar. Através do oficial de ligação do INEM, foi estabelecido contacto imediato com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, tendo sido criada uma ocorrência às 21:12 e acionado um meio de socorro às 21:14, no caso, uma Ambulância INEM operada pelos BV Guarda. Às 21:32, um Bombeiro dos BV Favaios contactou o CODU e informou que a vítima estaria em paragem cardiorrespiratória e a ser socorrida por uma equipa dos BV Cruz Branca. Em função desta informação, o CODU contactou imediatamente os BV Cruz Branca, que informaram que a vítima apresentava crise asmática por inalação de fumos, encontrando-se com a pressão arterial dentro dos parâmetros normais, não se confirmando a informação de paragem cardiorrespiratória. Pelas 21:41, a equipa dos BV Guarda, acionada pelo CODU, informou que a vítima se encontrava consciente e estável. O CODU validou os dados clínicos e informou que a vítima deveria ser transportada ao Hospital. Este transporte foi efetuado pelos BV Guarda. Pelo exposto, não se confirma que tivesse sido transmitido ao CODU que a vítima se encontrava em paragem cardiorrespiratória, não existindo critério para acionamento de um meio de Suporte Avançado de Vida, como é o caso da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER). A atuação do INEM foi a correta, tendo as decisões do CODU sido tomadas em função da avaliação realizada pelas equipas pré-hospitalares que assistiram a vítima no local", lê-se na resposta enviada à CNN Portugal.

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