Se está perto de um incêndio, vê e sente o fumo, deve tomar precauções. O SNS deixa algumas recomendações que deve seguir
A exposição ao fumo de incêndios pode ser prejudicial à saúde e deve estar atento e ter alguns cuidados que o podem ajudar a prevenir eventuais problemas. Quem o diz é o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que alerta para os perigos de inalação de fumo e deixa ainda algumas recomendações.
“A exposição e inalação do fumo de incêndios florestais pode provocar alterações respiratórias, cardíacas, neurológicas e oftalmológicas.” Mas há mais: o calor proveniente dos incêndios e a irritação/toxicidade causada pelos componentes químicos presentes podem levar a algumas alterações, alerta o SNS. Deve, por isso, saber de que modo pode prevenir essa exposição ou o que fazer caso alguém fique exposto ao fumo.
Sabe os componentes que pode estar a inalar?
O fumo resultante de um incêndio fica suspenso no ar e pode aglomerar uma série de componentes microscópicos numa combinação perigosa. Entre esses elementos pode-se destacar o dióxido de carbono, vapor de água, monóxido de carbono, óxidos de azoto, entre outros.
A exposição a fumo pode trazer-lhe algumas complicações. Saiba quais
Além de poder destruir células das vias respiratórias, a inalação de fumo pode, em casos mais graves, interferir nos níveis de oxigénio no sangue e ser responsável pela insuficiência respiratória.
O SNS enumera ainda algumas das complicações que pode desenvolver devido à exposição ao fumo de incêndios: “irritação dos olhos, do nariz e da garganta”, “aumento das secreções/expetoração”, “tosse persistente”, “inflamação e estreitamento das vias respiratórias (edema)”, “doenças respiratórias, como a bronquite”, “agravamento de doenças do coração e respiratórias” e ainda “alterações do estado de consciência (fraqueza, sonolência, desmaio)”.
Há medidas que o podem ajudar a prevenir para uma situação de exposição ao fumo de incêndios
“Ter alguns produtos em stock”. Desta forma, evita saídas desnecessárias que o podem expor ao perigo. O SNS recomenda que tenha em casa alimentos que não precisem de refrigeração, medicação habitual e máscaras de proteção N95.
Deve ainda garantir que está protegido com boas janelas e portas; procurar manter o seu ambiente fresco, “de preferência com modo de recirculação de ar”; e “estar atento aos meios de comunicação e informar-se das notícias locais”. Ter um plano de evacuação definido, conhecido pelos membros da família, é mais uma recomendação deixada pelo Serviço Nacional de Saúde.
Pode ainda procurar ajuda e recorrer aos seguintes contactos: SNS 24 (808242424) para mais informações, CIAV (800250250) para esclarecimentos no caso de intoxicação e/ou do INEM (112) para casos de emergência.
Existem ainda recomendações para evitar a exposição ao fumo de incêndios
Neste caso, é recomendado o seguinte: “evitar a utilização de fontes de combustão dentro de casa, tais como, aparelhos a gás ou lenha, tabaco, velas e incenso” e atividades no exterior; não alterar a medicação habitual, “nomeadamente se tiver doenças como, a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)” ou optar por consultar um médico se os sintomas persistirem; e manter uma boa hidratação e estar o mais fresco possível.
Se alguém inalou fumo, sabe como deve ajudar?
Caso perceba que alguém inalou fumo proveniente de incêndios, pode fazer três coisas para ajudar: “retirar a pessoa do local e evitar que respire o fumo ou esteja exposta ao calor”; perceber junto da pessoa se tem sinais de alarme, como queimaduras faciais, dificuldade respiratória ou alteração do estado de consciência; e ligar para um dos contactos acima referidos (SNS 24, CIAV ou INEM).
Esta é uma situação que pode trazer problemas e complicações. Deve por isso proteger-se e ter em atenção se as pessoas à sua volta estão também a salvo. Idosos, crianças, grávidas e pessoas com um histórico de doenças a nível cardiovascular ou respiratórias, são mais propícias a desenvolver complicações pela inalação de fumo.
Contudo, mesmo as pessoas saudáveis, podem também desenvolver algumas complicações derivadas da inalação do fumo e precisar de assistência, tendo em conta que o risco de inalação de fumo varia consoante “o nível e a duração da exposição”, “a idade da pessoa” e a “suscetibilidade individual”.
Atenção ao mito
Ao contrário daquilo que se possa pensar, o leite “não impede ou combate a ação tóxica” nem o ajuda na proteção contra os potenciais riscos da inalação.
A situação de incêndios em Portugal tem-se agravado, tendo levado, na passada sexta-feira, Portugal a ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Desde a viagem do século, os megaincêndios são um fenómeno que tem vindo a aumentar. De 2020 a 2023 houve quase tantos incêndios do que nas duas décadas anteriores, entre 2000 e 2019.