Ómicron: “Provavelmente já estaria na Europa antes de ser identificada na África do Sul”

2 dez 2021, 12:01

A imunologista Margarida Saraiva ressalvou que se a variante Ómicron for mais transmissível - como se pensa - a sua disseminação será inevitável e lembra que os casos diários deverão aumentar após o Natal, o que não deve ter "reflexo proporcional quer nos internamentos quer no número de mortes”

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A imunologista Margarida Saraiva acredita que as medidas de contenção dirigidas à África Austral vão ser eficazes a atrasar "um pouco a disseminação da nova variante da covid-19. No entanto, alerta que, "se esta variante for realmente mais transmissível, a propagação irá acontecer”. Em entrevista à CNN Portugal, a especialista teoriza também que a Ómicron já poderia estar espalhada por várias partes do globo sem ter sido detetada.

“Provavelmente [a Ómicron] já estaria em circulação na Europa antes de ter sido identificada na África do Sul”, diz Margarida Saraiva, que até este ano foi presidente da Sociedade Portuguesa de Imunologia.

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Margarida Saraiva lembra que as taxas de vacinação na Europa e em África são muito diferentes e que esta nova estirpe poderá provocar sintomas apenas ligeiros em pacientes imunizados, tendo assim passado despercebida às autoridades de saúde europeias.

Se verificarmos os dados de vacinação disponíveis no portal OurWorldinData, o continente africano tem apenas 5,8% da população totalmente vacinada, percentagem que é 10 vezes superior na Europa.

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Situação pandémica atual em Portugal

Atendendo à cobertura vacinal nacional e ao acelerar da distribuição de doses de reforço às pessoas mais vulneráveis, a imunologista a acredita que "a expetativa é de um aumento do número de casos" que "não tenha reflexo proporcional quer nos internamentos quer no número de mortes”.

Realçando que é sempre ter imperativo uma atenção redobrada aos números do Serviço Nacional de Saúde (SNS), "que nã parecem catastróficos de momento”. De acordo com o último relatório das Linhas Vermelhas elaborado por Direção-Geral da Saúde e Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Portugal verifica uma "tendência fortemente crescente", tendo passado dos 28% do valor crítico de 255 camas em unidades de cuidados intensivos para 40% apenas numa semana.

“Risco zero é impossível. Casos zero é impossível, porque não vamos conseguir destruir o vírus. Temos de partir sempre desse princípio”, explica Margarida Sairava.

Impacto pandémico do Natal

No último ano, o alargamento das restrições no período natalício materalizou-se num aumento de contágios, numa consequente sobrelatoção dos hospitais do SNS e, como resultado, o número de mortes diárias por covid-19 bateu recordes. No pico de casos, entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, Portugal chegou a registar mais de 300 mortes num só dia.

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Margarida Saraiva considera que é inevitável que este ano se volte a registar um aumento de infeções. A imunologista diz que a época fomenta os contactos entre pessoas que não se correlacionam quotidianamente, o que faz com que a probabilidade de infeções e contágios seja proporcionalmente maior. Enaltece, ainda que a perigosidade do SARS-CoV-2 é superior no inverno do que no resto do ano.

“É óbvio que na altura natalícia vamos necessariamente ter mais contactos. É evidente que a maioria das pessoas terá mais contactos. Ao aumentarem o número de contactos aumentam também a probabilidade de ficarem infetadas ou de contagiarem alguém. Por outro lado, sabemos que este vírus é especialmente problemático no inverno.”, culmina Margarida Saraiva.

Foi a pensar nisso que o Governo anunciou um conjunto de medidas para a primeira semana de 2022, que entre 2 e 9 de janeiro será de "contenção de contactos". As escolas vão abrir mais tarde (10 de janeiro), o teletrabalho vai ser obrigatório e as discotecas e bares não vão poder abrir.

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O surgimento de uma nova variante da covid-19 - a Ómicron - na África Austral, reinstalou o clima de alerta que se viveu na Europa ao longo do último ano e levou à implementação de várias restrições focadas naquela região do globo. António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, já se manifestou contra o que diz ser "um novo apartheid de viagens".

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