Cidadãos incapacitados enfrentam problemas com polícias e seguranças dos hospitais
Os dísticos de estacionamento para pessoas incapacitadas estão a demorar meio ano a chegar aos destinatários. A denúncia é da Associação Portuguesa de Deficientes (APD). O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) responde que “os cartões são emitidos num prazo médio de 45 dias”.
“Começámos a receber queixas de todo o país em 2025”, relata Helena Rato, vice-presidente da APD, que calcula em seis meses o tempo médio de resposta. O presidente do IMT, João Caetano, em resposta escrita à CNN Portugal, refere que “naturalmente poderá haver um número de pedidos cujo prazo para emissão possa ser superior à média, em virtude, a título de exemplo, do pedido de correções ou de documentos em falta”.
Ao farmacêutico Mário Leitão, de Ponte de Lima, nunca ninguém pediu documentos em falta. “Disseram-me para ficar descansado, mas passados seis meses não recebi dístico nenhum”, conta, indignado. Sofreu um AVC em 2025. Em outubro, uma junta médica atestou-lhe incapacidade de 71%, que lhe dá direito ao dístico.
Polícias, seguranças e deficientes
Os atrasos têm um impacto nefasto na qualidade de vida das pessoas incapacitadas. Nas deslocações para tratamentos ao Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, a mulher de Mário Leitão foi incomodada por um segurança, apesar de ter exibido o atestado e exposto a situação.
Também Manuel Almeida andou quatro meses a ser pressionado pela polícia, em Lisboa, porque o seu dístico estava caducado. “Os agentes queriam uma declaração provisória, mas o IMT recusou sempre emitir qualquer documento desse tipo”, relata.
O IMT tinha 852 funcionários e receitas na ordem dos 120 milhões de euros em 2024, último ano com contas publicadas. Fonte governamental admite que o instituto “precisa de mais meios para as suas atribuições”.