Italiana MFE passa a deter 32,934% da Impresa e família Balsemão mantém controlo do grupo

Agência Lusa , PP (atualizado às 20:04)
26 nov, 18:56
Reggie (Rui Valido)

Num outro comunicado, a dona da SIC informou que "a dívida remunerada líquida situou-se em 145 milhões de euros em outubro de 2025, refletindo uma redução de 2% face a junho de 2025", que era 148,2 milhões de euros

A dívida remunerada líquida da Impresa situou-se em 145 milhões de euros em outubro, uma quebra de 2% face a junho, divulgou hoje a dona da SIC, que espera que esta baixe no final de dezembro.

A Impresa anunciou esta quarta-feira a parceria com a italiana MFE - MediaForEurope, na qual esta passa a deter 32,934% da dona da SIC, e a família Balsemão mantém o controlo do grupo com 33,738%.

Num outro comunicado, a dona da SIC informou que "a dívida remunerada líquida situou-se em 145 milhões de euros em outubro de 2025, refletindo uma redução de 2% face a junho de 2025", que era 148,2 milhões de euros.

Entre junho de 2016 e outubro de 2025, "a dívida remunerada líquida apresenta uma tendência global de redução", adianta a dona da SIC, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

No período acumulado, o grupo Impresa "reduziu a sua dívida remunerada líquida em mais de 26%, o que corresponde a cerca de 51 milhões de euros".

A Impresa adianta que, "com base na informação atualmente disponível e sem considerar eventos extraordinários, a expectativa é a de que a dívida remunerada líquida a 31 de dezembro seja inferior à reportada a 31 de outubro de 2025".

CEO da Impresa destaca a partilha com MFE da mesma visão de futuro dos media

O presidente executivo (CEO) da Impresa destaca a escolha da MFE porque partilha da mesma visão para o futuro dos media, é parceira do setor e pela sua robustez financeira, em carta interna que a Lusa teve acesso.

"Recebemos, nos últimos meses, propostas de diferentes entidades. Tendo surgido várias alternativas, foi importante para a família Balsemão, incluindo o fundador da Impresa, Francisco Pinto Balsemão, assegurar, para a escolha do acionista certo, que determinados critérios rigorosos fossem cumpridos", afirma Francisco Pedro Balsemão, na missiva.

Aliás, "foi, com base neles, que decidimos encetar negociações exclusivas com a MFE [MediaForEurope], que agora culminaram nesta parceria", prossegue o gestor, referindo que o acordo de investimento anunciado "é uma ótima notícia".

Em primeiro lugar, "escolhemos a MFE porque partilhamos a mesma visão para o futuro da comunicação social, revemo-nos na sua estratégia, nomeadamente na necessidade de se criar grupos de media fortes com dimensão para fazer face a uma concorrência cada vez mais global e, no caso das grandes plataformas tecnológicas, desleal", acrescenta Francisco Pedro Balsemão.

"Com a MFE, a Impresa, além de manter a sua estabilidade acionista, consolida a sua posição de maior grupo de media privado português, aliando-se a um parceiro que é um dos maiores grupos europeus, com presença em seis países do Velho Continente, o que será uma enorme vantagem competitiva", salienta.

Depois, a MFE "é também um parceiro do setor, que tem os media como o seu 'core business', ou negócio principal. Tal como a Impresa, a MFE não vê esta atividade como apenas mais uma área no meio de um conglomerado de outros negócios. E, tal como a Impresa, a MFE é um grupo familiar, com forte tradição na comunicação social", sustenta.

Por fim, "a robustez financeira da MFE é algo que também deve ser destacado", aponta, referindo que "o grupo cresceu muito nos últimos anos, com uma estrutura profissionalizada, liderada por Pier Silvio Berlusconi, uma gestão elogiada em Itália, e mais fortalecida ainda depois do recente sucesso da operação de compra de mais de 75% do gigante alemão ProSieben".

A família Balsemão "continuará na Impresa, a contribuir para o crescimento do Grupo e a respeitar intransigentemente os valores – em particular, a liberdade de expressão e a independência editorial – que Francisco Pinto Balsemão nos deixou como legado. E, agora, numa escala grande e internacional, que muito nos orgulha", sublinha Francisco Pedro Balsemão.

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