PSP acompanha "com interesse preventivo" tumultos em Torre Pacheco e tem "meios em prontidão" para responder "a eventos disruptivos"

18 jul 2025, 09:00
Torre Pacheco (Getty)

Torre Pacheco, em Espanha, tem sido palco de confrontos entre a extrema-direita e imigrantes. Polícia portuguesa está atenta - incluindo a quaisquer tentativas de replicação em Portugal

A Polícia de Segurança Pública (PSP) garante que está a acompanhar à distância os eventos em Torre Pacheco e destaca que tem "capacidade para, em termos de resposta, ter meios em prontidão para corresponder às necessidades das nossa comunidade e população, face a eventos mais disruptivos".

"A Polícia de Segurança Pública acompanha todos os fenómenos criminológicos que aconteçam no nosso país, acompanhando, sempre com interesse preventivo, todos os fenómenos criminais internacionais", aponta a autoridades de segurança.

A PSP lembra ainda que "faz parte de diversos grupos institucionais internacionais de troca de informação policial" e que através dessas ferramentas mantém contatos permanentes com forças de segurança em várias partes do globo.

Além disso, mas também com um intuito preventivo, a PSP é parte integrante do Sistema de Segurança Interna, idealizado precisamente para "acompanhar todo o tipo de fenómenos que possa comprometer ou colocar em risco a segurança e ordem pública".

A PSP destaca que o que mais "importa esclarecer" à população portuguesa é que "a PSP cumpre prementemente a sua missão promovendo, preventivamente, as ações entendidas úteis para garantia da segurança e ordem pública".

A PSP diz ainda que, "em termos de resposta, tem meios em prontidão para corresponder às necessidades das nossa comunidade e população face a eventos mais disruptivos".

Como se vigia em Portugal

O que se está a passar em Torre Pacheco "não traz risco para Portugal", começa antes de tudo por assegurar Hugo Costeira, ex-presidente do Observatório de Segurança Interna. O também especialista em cibersegurança acredita que a probabilidade de ocorrer algum tipo de fenómeno de replicação em solo luso é muito baixo - ou mesmo nulo -, porque "os portugueses, em termos sociais, não estão tão extremados como em Espanha ou noutros países da Europa, onde a situação é claramente preocupante".

"O grande fenómeno a este nível que nós temos em Portugal - e que pode realmente espoletar uma situação destas - é sempre 'o pior das claques de futebol'", refere, dizendo que em Portugal "este tipo de incidentes não tem acontecido". "Acho que não é preocupante e não vejo forma disso acontecer em Portugal desta forma, a não ser que realmente haja agressões de caris sexual e alguém mais afoito, antes da polícia chegar, possa levar isso a peito e fazer alguma justiça", teoriza.

Grande parte dos incidentes em Torre Pacheco foi potenciada nas redes sociais. Mas como conseguem as autoridades monitorizar - não as redes sociais normais, mas apps encriptadas em dois pontos, ou seja, no emissor e no receptor -, como o Telegram, Signal ou WhatsApp? Hugo Costeira recorda que é uma das áreas em que tem mais anos de experiência e, apesar de demonstrar vontade de dar uma resposta mais alargada e completa, lembra que "estaria a dar inputs técnicos que são importantes para quem faz a monitorização das redes sociais, mas também são importantes para quem é monitorizado". Ainda assim, o especialista em cibersegurança garante que "hoje em dia há ferramentas no mundo das forças de segurança e dos serviços de informação que podem perfeitamente detetar todo o tipo de discurso, identificar perfis e identificar os responsáveis por esses perfis, entrar dentro dos grupos e extrair todo o tipo de informação e mais alguma que se queira". 

"A questão é nem todos os Estados têm capacidade financeira, muitas vezes, para adquirir determinado tipo de software", sendo que já não estamos a falar de softwares como o Pegasus - que ficou famoso após uma investigação de um consórcio de jornalistas ter exposto que a ferramenta tinha mais de 50 mil telemóveis como potenciais alvos -, explica Hugo Costeira. Agora "já estamos a falar de ferramentas até mais avançadas e úteis do que essa e que realmente podem ser usadas nas redes sociais para a deteção e prevenção de uma série de fenómenos, desde a radicalização até atos criminosos ou terroristas".

O ex-presidente do Observatório de Segurança Interna garante que esta monitorização hoje em dia "não é nada difícil de fazer", primeiro porque agora "há mil programas" e segundo porque "o avanço da inteligência artificial" agilizou a capacidade de processamento de dados. E como está Portugal em relação ao resto da Europa neste campo? "Andamos ali pela metade, mas mais perto da cauda da Europa."

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