Chama-se iKnife, parece um bisturi e consegue ‘cheirar’ o cancro. Em segundos, diagnostica tumores no útero

CNN Portugal , DCT
7 jan, 09:00
iKnife (Imperial College London/Thomas Angus)

A descoberta foi feita por cientistas do Imperial College London, que conseguiram provar que este dispositivo - já usado para os cancros do pulmão, cólon e fígado - é igualmente eficaz no diagnóstico de tumores no útero

O diagnóstico precoce do cancro é a arma mais eficaz quando o objetivo é conseguir prognósticos positivos e um tempo de recuperação rápido. E foi nesta emergência de encontrar formas rápidas de detetar tumores malignos que uma equipa de cientistas do Imperial College London descobriu que há um dispositivo que é capaz de detetar a doença em segundos.

Segundo o artigo publicado na revista Cancer, em causa está um dispositivo chamado iKnife, uma espécie de bisturi com capacidade de olfato, cheirando tumores malignos em tecidos saudáveis. Este equipamento não é novo, já é usado em casos de cancro do pulmão, cólon, fígado e cervical, mas sabe-se agora que é eficaz na deteção rápida - em segundos - de cancro no útero.

“O iKnife diagnosticou de forma confiável o cancro do endométrio em segundos, com uma precisão de diagnóstico de 89%, minimizando os atrasos atuais para as mulheres enquanto aguardam um diagnóstico histopatológico”, lê-se no estudo, que adianta que a descoberta poderá “abrir caminho” para novas formas de diagnóstico.

Este dispositivo “usa métodos eletrocirúrgicos” para gerar “aerossóis” que são analisados por um espectrómetro de massa que “fornece assinaturas de tecido em tempo real”, explicam os cientistas. Na prática, o dispositivo, criado há dez anos, usa correntes elétricas que dão origem a aerossóis que, por seu turno, são analisados por esta ‘faca inteligente’ capaz, assim, de diferenciar tecido cancerígeno de tecido saudável.

A eficácia do iKnife, dispositivo que pode ver na imagem acima captada por Thomas Angus, foi comprovada em tecidos de 150 biópsias realizadas a mulheres, depois comparados com métodos de diagnóstico convencionais, mas, mesmo assim, os investigadores defendem a importância de mais estudos “para validar esta técnica e melhorar o seu desempenho de diagnóstico”.

 

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