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Tralhão recorda Taça histórica: «Vai ser difícil repetir, mas não vejo o fim»

5 jun, 15:01
Luís Tralhão celebra após o Torreense-Fafe (Carlos Barroso/Lusa)
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Técnico do Torreense assume a mágoa pela falha na subida à I Liga, mas acredita que a conquista da Taça de Portugal ficará para sempre na história do clube e do futebol português

A conquista da Taça de Portugal continua bem presente na memória de Luís Tralhão. Em entrevista à Agência Lusa, o treinador do Torreense assumiu que a vitória frente ao Sporting na final da Prova Rainha representou o momento mais marcante da sua carreira e garantiu que o clube pretende aproveitar a visibilidade conquistada para continuar a crescer.

Apesar de reconhecer a dimensão do feito, Tralhão deixou claro que não quer que o clube fique associado apenas a esse momento.

«Vejo a Taça de Portugal como um feito histórico e inédito, que vai ser difícil repetir, mas não vejo o fim. Foi a Taça de Portugal, mas não queremos que as pessoas fiquem a conhecer o Torreense porque ganhou a Taça em 2025/26 e nunca mais se ouviu falar. No futebol, trata-se de consistência, de continuar a elevar o nível», afirmou.

O treinador revelou ainda a tranquilidade surpreendente que sentiu durante a final disputada no Estádio Nacional.

«Lembro-me de estar incrivelmente calmo durante o jogo inteiro. Até muito mais calmo do que nos jogos da II Liga», confessou.

No entanto, já após a partida, acabou por não resistir à emoção quando subiu a escadaria do Jamor para receber o troféu.

«Não estava muito emocional naquele dia, poucas lágrimas verti, mas quando começo a subir a escadaria e vejo a minha família toda a chorar, aí é uma memória que vai ficar para o resto da minha vida. Não me consegui conter», revelou.

A festa em Torres Vedras

Outro dos momentos que guarda com mais carinho aconteceu já depois da festa no Estádio Nacional, durante a receção da equipa em Torres Vedras.

«As pessoas estavam eufóricas, vi pessoas mais idosas a chorar, tal como vi crianças super felizes com o equipamento do Torreense e a sentir aquela emoção toda. Isso é o que nos alimenta a alma», disse o técnico.

Para Tralhão, a dimensão do feito começa agora a ser verdadeiramente percebida.

«Hoje tenho uma noção maior. Tivemos uma semana muito agridoce, um misto de emoções positiva, e, depois, negativa. Como qualquer ser humano, temos sempre mais tendência para olhar para o negativo do que para o positivo.»

A mágoa da subida que escapou

Apesar da conquista histórica, o treinador não esconde que o final da temporada ficou marcado pela desilusão de falhar a subida à I Liga.

O Torreense terminou a II Liga com os mesmos pontos do Académico de Viseu, mas perdeu a promoção direta na diferença de golos, acabando depois derrotado pelo Casa Pia no play-off.

«A mágoa que existe é o facto de acabarmos com os mesmos pontos do que a equipa que acaba por subir direta [Académico de Viseu]. Dá a sensação de que ficámos tão perto e não conseguimos subir direto», lamentou.

«Não ficámos a dever nada ao Casa Pia. Pelo contrário. Fica a mágoa de ter perdido o play-off contra uma equipa muito difícil, mas que senti que éramos capazes», acrescentou ainda sobre o play-off diante dos gansos.

Tralhão referiu ainda que o calendário apertado que obrigou o Torreense a disputar três encontros decisivos em apenas oito dias, entre a final da Taça e o play-off de promoção.

«Percebo que há um calendário para se cumprir e há datas, entendo isso, mas quando se percebeu que era o Torreense que ia fazer o play-off e a final da Taça, especialmente uma equipa que vem da II Liga e que não está preparada para jogos de três em três dias, podia ter-se dado uma margem, especialmente do jogo da Taça para a segunda mão do play-off, maior do que se deu», apontou.

Liga Europa e Supertaça no horizonte

A inédita presença na fase de liga da Liga Europa é encarada como um desafio enorme, sobretudo porque o clube continuará a competir na II Liga. Ainda assim, Tralhão vê a competição europeia como uma montra privilegiada para o Torreense.

«Vai ser muito falado. Vamos aproveitar o que é o mais importante, que é mostrar o nosso produto, quem somos nós, qual é a nossa região e quem são os nossos jogadores», disse.

Antes da aventura europeia, o Torreense medirá forças com o FC Porto na Supertaça. Tralhão reconhece o favoritismo dos dragões, mas garante que a equipa do Oeste não pretende ser mero figurante.

«Somos uma equipa que tem qualidade e que podia estar claramente na I Liga», sublinhou o treinador do Torreense.

Luís Tralhão acredita, aliás, que a ascensão do clube ao principal escalão é apenas uma questão de tempo.

«Acredito que o Torreense, num prazo temporal de curto/médio prazo, vai lá chegar. O clube tem vindo a dar passos cada vez mais consistentes nesse sentido», atirou.

«O nome de todos vai ficar imortalizado»

Entre a conquista da Taça, a qualificação para a Liga Europa e a luta pela subida até à última jornada, Luís Tralhão acredita que a temporada ficará para sempre na história do clube.

«Chegar à final e vencê-la… Creio que o nome dos jogadores, tal como o meu, de quem marcou, de quem entrou e de quem fazia parte do plantel, vai ficar imortalizado», concluiu.

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