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"A vitória do povo ucraniano será a nossa paz". O discurso de Sebastião Bugalho sobre os 80 anos do fim da II Guerra Mundial

10 mai 2025, 08:15

O PPE, maior partido no Parlamento Europeu, escolheu o mais novo dos seus 188 deputados para abrir, esta quinta-feira, o debate sobre os 80 do fim da Segunda Guerra Mundial. A CNN publica na íntegra o discurso (lido em inglês no plenário) de Sebastião Bugalho

Nos livros de história, o mundo do pós-guerra não é apenas o mundo depois da guerra, mas um mundo sem ela.

Hoje, 80 anos após a rendição do regime nazi, vivemos num mundo que enfrenta uma escuridão que a maioria de nós não recorda.

50 milhões de vidas em seis anos fizeram-nos dizer Nunca Mais.

A Segunda Grande Guerra confrontou a humanidade com o desumano, o patriotismo com o fascismo, a verdade com a raiva.

A guerra conseguiu uma verdadeira paz através de uma lição difícil: aqueles que escolheram resistir perdoaram aqueles que hoje recusam esquecer.

E esse é o princípio fundador da nossa União: aqueles que resistiram à invasão estão aqui, aliados àqueles que jamais invadirão novamente.

Aqueles que disseram Nunca Nos Renderemos estão aqui, hoje, lado a lado daqueles que dizem: Lembraremos Sempre.

O povo ucraniano sabe, como nós sabemos, que a coragem para continuar é a mesma coragem para travar a reescrita da História.

E devemos tê-lo presente.

Que a sua luta já foi a nossa.

Que a sua liberdade é a nossa liberdade.

Que a sua vitória será a nossa paz.

Eles podem não ser nossos pais ou nossos filhos, mas são nossos irmãos.

Nossos irmãos de armas e de direitos.

Nossos irmãos na sua esperança e na sua resistência.

Neste mundo, nesta guerra, poderemos estar solitários – mas não sozinhos.

Há 80 anos, também nós enfrentámos essa solidão e pusemos fim a um mal terrível no dia em que vencemos.

Hoje, é a sobrevivência da Liberdade – da Democracia aqui e agora – que está em jogo no nosso continente.

Por isso hoje, nesta hora e neste local, que o Dia da Vitória na Europa fique conhecido não apenas pela vitória que aconteceu, mas também pela vitória que tem de acontecer.

Que o fogo da memória acenda essa causa comum.

Que as palavras Dia da Vitória também signifiquem – mais cedo do que tarde – Slava Ukraini.

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