Quando vamos atingir a igualdade de género? Prevê-se que só daqui a 134 anos

CNN Portugal , MGR
22 jun, 11:00
Igualdade de género. Freepik

Portugal está na 17ª posição do índice da disparidade de género de 2024

Ao ritmo atual, só daqui a 134 anos é que a paridade de género deverá ser alcançada a nível global, uma meta que se afasta drasticamente do objetivo estabelecido pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de alcançar a igualdade de género até 2030.

De acordo com o Fórum Económico Mundial, nos 146 países analisados o índice global de disparidade de género em 2024 é de 68,5% - mais 0,1 pontos percentuais do que no ano anterior. Este índice, que avalia o progresso de 146 países na igualdade de género, divide-se em quatro dimensões: participação e oportunidades económicas, sucesso educacional, saúde e sobrevivência e empoderamento político. Quanto mais próximo de 100, maior a paridade entre homens e mulheres.

Na dimensão da saúde e sobrevivência, que engloba a esperança de vida e percentagens de homens e mulheres à nascença, a paridade atingiu o nível percentual mais elevado, com 96% de igualdade. Já em relação ao campo da educação, que analisa os índices de alfabetização e escolaridade dos dois sexos, a igualdade é de 94,9%. Mais abaixo, com 60,5%, situa-se o tópico da participação económica, um tema amplamente discutido hoje em dia que reflete a persistente desigualdade salarial.

A participação política, que avalia a proporção de ministros e chefes de Estado segundo o género, ainda está muito aquém do esperado. Em 2024 apenas 22,5% das mulheres atingiram a igualdade de género neste campo, com uma proporção de quatro homens para cada mulher.

No entanto, a mudança mais significativa ocorreu na política, onde a paridade aumentou um total de 8,3 pontos percentuais, para 22,8%, nas últimas 18 edições.

Feitas as contas, só daqui a 20 anos (mais quatro anos em relação ao previsto em 2023), é que vai ser alcançada a paridade na educação. Para chegar à igualdade na participação económica é necessário esperar 152 anos e na política 169 anos, mais sete do que o indicado no estudo de 2023.

Islândia continua a ser o país onde há mais igualdade de género. Portugal subiu 15 posições

A Islândia mantém-se como o país com maior igualdade de género, liderando o ranking há 15 anos consecutivos com uma redução de 93,5% na disparidade de género. No top 10 global encontram-se sete países europeus, mas Portugal não está incluído, conquistando a 17ª posição - uma subida de 15 posições em relação ao ano de 2023.

Em Portugal, a igualdade de género melhorou em quase todas as dimensões, exceto na saúde e sobrevivência, que se manteve estagnada na 62ª posição com um valor de 0,973. Na política, Portugal subiu 12 lugares, alcançando a 26ª posição. Na participação económica, subiu sete posições, situando-se em 27º. Na educação, o país alcançou a 68ª posição, uma melhoria de oito lugares em relação a 2023.

Após a Islândia, Finlândia, Noruega, Nova Zelândia e Suécia completam o top 5. Em 2024, a Europa eliminou 75% das desigualdades de género, liderando em comparação com outros continentes. Em contraste, o Médio Oriente e o Norte de África ocupam a última posição com uma pontuação de paridade de género de 61,7%.

O estudo conclui com um alerta sobre a importância de alcançar a igualdade de género, sublinhando que esta deve ser "encarada como uma condição para um crescimento equitativo e sustentável".

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