"A entrada das mulheres [na administração normal da Igreja] não é uma moda feminista, é um ato de justiça”: Papa Francisco à CNN Portugal

5 set, 20:00

Em entrevista exclusiva à TVI/CNN Portugal, Francisco destaca o facto de a mulher nunca "abandonar o que está perdido". E explica o que isso quer dizer.

O Papa Francisco diz que a escolha de três mulheres para o departamento da Igreja Católica que está encarregada da nomeação dos bispos, o dicastério dos bispos, é “um ato de justiça”. Em entrevista exclusiva à TVI e à CNN Portugal, Francisco diz que “é bom que haja mulheres que pensem como têm de ser os bispos”.

“Os relatórios mais maduros que eu recebia para conferir a ordenação como sacerdotes aos seminaristas eram elaborados por mulheres dos bairros onde eles iam trabalhar na paróquia. E, além disso, a mulher está encarregada de conduzir a maternalidade da Igreja. Portanto, para eleger bispos é bom que haja mulheres que pensem como têm de ser os bispos. Ou seja, a entrada das mulheres não é uma moda feminista, é um ato de justiça que, culturalmente, tinha sido posto de lado”, diz Francisco, numa entrevista conduzida por Maria João Avilez.

O Papa sublinhou ainda que as nomeações para o dicastério dos bispos não são uma novidade na Igreja e exemplifica que há três anos nomeou cinco mulheres para o Conselho de Economia do Vaticano, um departamento que era conduzido até então apenas por homens. “E começou a funcionar melhor. Porque a mulher sabe administrar noutro tipo de coisas. A mulher tem uma maneira de executar as coisas diferente da nossa porque raciocina de outra maneira. Tem maternalidade, que é diferente”, justificou.

"A mulher nunca abandona o que está perdido"

O Papa lembra que “homens e mulheres são batizados”. E que “a Igreja é feminina”. “É ‘A’ Igreja. Não é ‘O’ Igreja. É mulher. É a esposa de Cristo. E na administração normal da igreja faltavam as mulheres”, considera.

A seu favor, a mulher tem, de acordo com o Santo Padre a experiência e/ou instinto da maternidade. “A mulher é mãe. E a mãe não é igual ao pai. A mulher é capaz de se desenvencilhar melhor sozinha. Há uma estatística: em geral (mas isto é uma curiosidade) um homem que fica viúvo tem muita dificuldade em manter a família. Tem de voltar a casar-se ou… Uma mulher que fica viúva é capaz de manter a família sozinha. (…) E isto é uma coisa que quero dizer porque é uma homenagem à mulher: a mulher nunca abandona o que está perdido.”

Na mesma entrevista, o Papa acrescentou que não é necessário um cristão ter um ministério ordenado para executar um trabalho na Igreja. Um laico pode ter um papel igualmente válido. “‘Queres fazer algo pela Igreja? Torna-te freira.’ Não. Pode ser laica. Uma laica que esteja a trabalhar. E cá, no Vaticano, estão só homens? Não. Aqui, todos os batizados têm lugar. Isto é algo que não inventei, já vem dos últimos 20, 30 anos e que lentamente se vai implementando”, disse.

A entrevista completa ao Papa Francisco é transmitida esta segunda-feira à noite na CNN Portugal.

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