Patriarca de Lisboa recebeu denúncia de abusos nos anos 90 mas manteve padre em funções e não comunicou caso à polícia

27 jul, 00:11
Religião

Este caso integra as mais de 300 denúncias já recebida pela Comissão Independente para os Estudos dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa

D. Manuel Clemente teve conhecimento de uma denúncia de abusos sexuais de menores relativa a um sacerdote do Patriarcado de Lisboa e chegou mesmo a encontrar-se pessoalmente com a vítima, mas optou por não comunicar o caso às autoridades civis e por manter o padre no ativo com funções de capelania, noticia o Observador.

De acordo com o jornal, trata-se de denúncias ocorridas nos anos 90. A denúncia terá sido foi feita pela mãe de uma das alegadas vítimas, nessa altura, ao então cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e, mais recentemente, a D. Manuel Clemente, que exerce as mesmas funções. “O Patriarcado de Lisboa confirma que recebeu, no final da década de 1990, uma queixa contra o padre […] por alegados abusos sexuais. Na altura, foram tomadas decisões tendo em conta as recomendações civis e canónicas vigentes”, confirmou a instituição ao Observador.

Segundo o Patriarcado, a vítima não quis que o seu caso fosse público e queria apenas que os abusos não se repetissem. Foi esse o motivo que levou D. Manuel Clemente a não tomar nenhuma atitude, permitindo inclusivamente que o sacerdote continuasse a gerir uma associação privada onde acolhe famílias. No entanto, durante as últimas duas décadas, o sacerdote não teve qualquer serviço paroquial, mantendo-se apenas como capelão.

Este caso integra as mais de 300 denúncias já recebida pela Comissão Independente para os Estudos dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa. 

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