Papa Francisco retira poder ao Opus Dei na Igreja Católica

CNN Portugal , FMC
4 ago, 22:12
Papa Francisco. (AP Photo/Andrew Medichini)

O Papa Francisco decretou alterações na poderosa organização: deixa de existir prelado e Opus Dei passa a depender do Dicastério para o Clero

O Papa Francisco introduziu, formalmente, esta quinta-feira, uma nova norma que retira poder ao Opus Dei dentro da Igreja Católica. O anúncio da nova diretriz já tinha sido feito em julho, mas só agora entra em vigor. O Sumo Pontífice publicou o novo motu prorpio (documento papal) Ad carisma tuendum (para proteger o carisma) que "retira poder e independência" na Igreja Católica à Obra, como também é conhecida a Opus Dei.  

Segundo indicou o Papa Francisco, o intuito é que a forma do governo do Opus Dei seja "baseada mais no carisma do que na autoridade hierárquica". Além disso, o Santo Padre defendeu que as alterações impostas vão ao encontro do que era o intuito do fundador da Obra, São Josemaría Escrivá de Balaguer. 

Uma das alterações é a diminuição do prelado, o líder da entidade deixa de ser "distinguido" com o cargo de bispo e fica impedido de usar o anel e vestes episcopais. O título muda agora para Protonotário Apostólico Supernumerário. 

A partir de agora a Opus Dei passa a reportar ao Dicastério para o Clero, entidade que ficará encarregue de avaliar "as questões que em cada caso devem ser tratadas", como a formação de sacerdotes ou "possíveis controvérsias" que deixam de estar à responsabilidade da própria organização. 

Além disso, a Opus Dei deverá prestar contas, anualmente, através de um relatório sobre a sua situação e sobre o "desenvolvimento do seu trabalho apostólico” a essa mesma entidade. Até esta alteração, a organização apenas entregava um documento similar a cada cinco anos e entregava-o à Congregação para os Bispos, organismo do Vaticano de que dependia. 

O líder da organização mostrou-se recetivo às novas ordens. Aquando do anúncio, o líder, o Monsenhor Fernando Ocáriz respondeu que "aceitava filialmente", deixando uma mensagem no site oficial da instituição: "A posição de bispo não era e não é necessária para a orientação da Opus Dei", destacando que a sua tarefa primordial é "ser um guia, mas sobretudo, um pai". O antigo prelado exorta ainda os seus seguidores a "rezar pelo trabalho que o Papa Francisco" pediu na norma e apelou a que sejam "fiéis ao carisma". 

Estas disposições fazem parte de uma reforma mais ampla pretendida pelo líder da Igreja Católica, que procura modernizar e introduzir uma maior transparência da instituição. 

A Opus Dei, uma das organizações mais influentes da Igreja Católica e amplamente conhecida e discutida, foi reconhecida em 1982 pelo Papa João Paulo II, depois de ser fundada em 1928 por São Josemaría Escrivá de Balaguer. Esta instituição canónica é única, uma vez que apenas ela tem o privilégio de se definir como uma prelatura pessoal, não se limitando a um território específico, como, por exemplo, as dioceses. 

A Opus Dei está presente em mais de 60 países e é composta por cerca de 90 mil membros leigos, incluindo personalidades poderosas e mais de dois mil sacerdotes, especialmente na Europa e na América Latina. 

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