Em causa, a consagração de bispos à revelia do Vaticano que está prevista para esta quarta-feira. Numa carta enviada ao movimento conservador da Igreja, Leão XIV lembra que os seus antecessores foram "benevolentes" com a Fraternidade Pio X
O Papa Leão XIV lançou um apelo público à Fraternidade Sacerdotal Pio X para que reconsidere a consagração de bispos prevista para esta quarta-feira, que pode provocar um cisma na Igreja. Numa carta pública dirigida ao movimento, Leão XIV lembra que os seus antecessores, Francisco e Bento XVI, foram “benevolentes” com a Fraternidade Sacerdotal Pio X, permitindo que celebrem casamentos e levantando mesmo a excomunhão de membros do movimento.
“Repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da receção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação”, argumenta.
O Papa manifesta a disponibilidade do Vaticano para “um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo” e finaliza garantindo que vai rezar pelos membros do movimento, “pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade”. “Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho”, acrescenta.
A Fraternidade Pio X tem prevista para esta quarta-feira a consagração de bispos, à revelia do Papa, o que irá provocar uma cisão na Igreja católica. O movimento tem uma postura ultraconservadora, celebra as missas em latim, com os sacerdotes de costas para o povo e virados para o altar e obriga as mulheres a estarem na igreja de cabeça coberta.
Os conflitos duram há décadas, desde que o arcebispo Marcel Lefebvre fundou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, opondo-se fortemente às reformas do Concílio Vaticano II, o que culminou num cisma com a Igreja católica.
