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População de Portugal vai cair de 10,7 para 8,3 milhões em 2100. E pode cair para seis milhões sem imigrantes

Agência Lusa , AM
30 set 2025, 13:52
Lisboa
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Na viragem do próximo século haverá menos 2,4 milhões de residentes, havendo mais idosos e muito menos crianças e jovens

Portugal terá menos 2,4 milhões de residentes em 2100 e uma população muito mais envelhecida, mas a redução populacional poderia ser o dobro sem a presença de imigrantes, segundo uma projeção do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE divulgou esta terça-feira os resultados do exercício de Projeções de População Residente entre 2024 e 2100 e estima que a população residente passará dos atuais 10,7 para 8,3 milhões de pessoas, de acordo com um cenário central de projeção.

Mas os investigadores também desenharam outros cenários, como um país sem migrações, e nesse caso a redução seria muito mais acentuada, com menos 4,7 milhões de residentes.

Admitindo "a possibilidade, pouco provável, de inexistência de fluxos migratórios e em que as hipóteses de evolução da fecundidade e da mortalidade são as adotadas no cenário central, seria de esperar em 2100 uma população residente de cerca de 6,0 milhões de pessoas”, refere o INE. 

A diminuição da população residente não será para já, uma vez que os especialistas estimam que os residentes ainda vão aumentar até aos 10,9 milhões em 2029, ficando abaixo dos 10 milhões apenas em 2057 (9.976.259) e dos nove milhões em 2079 (8.983.719). 

Segundo as projeções, nem todas as regiões sentirão estas mudanças da mesma forma, sendo que o norte poderá deixar de ser a zona mais populosa a partir de 2080, passando o título para a Grande Lisboa.

Nesta tendência de decréscimo de população, as zonas da Grande Lisboa, Algarve e Península de Setúbal serão exceções, segundo os dados do INE, que mostram que também haverá menos crianças, jovens e adultos.

Em 2100, haverá menos de um milhão de crianças e jovens até aos 15 anos (atualmente são 1,4 milhões), segundo o cenário central desenhado pelos investigadores, que admitem, no pior cenário, um país com apenas meio milhão de jovens.

Estas diferenças de valores estão relacionadas “sobretudo com a influência dos saldos migratórios, dos níveis de fecundidade e da conjugação de ambos”, refere o estudo, que mostra que, sem migração, haveria apenas 636 mil crianças e jovens em 2100.

Também a população em idade ativa (dos 15 aos 64 anos) vai diminuir gradualmente, passando dos atuais 6,8 milhões para 4,2 milhões em 2100, no cenário central, que apresenta um país onde os jovens serão cada vez mais até 2050, altura em que haverá uma quebra: Em 2100, serão 3,1 milhões.

“O índice de envelhecimento em Portugal aumentará gradualmente até 2060, ano em que tenderá a estabilizar”, escreve o INE, explicando que com menos gente em idade ativa e cada vez mais idosos, haverá um agravamento do índice de dependência de idosos.

O índice de dependência de idosos – que é medido através da relação entre o número de pessoas com, pelo menos, 65 anos e o número de pessoas em idade ativa - passará dos atuais 39 idosos para cada 100 pessoas em idade ativa, para 73 idosos em 2100.

Já o índice de dependência de jovens (quociente entre o número de crianças e jovens até aos 14 anos e o número de pessoas em idade ativa) tenderá a manter-se estável, passando dos atuais 20 para 23 jovens por 100 pessoas em idade ativa.

Mais de três milhões de idosos

O envelhecimento da população em Portugal vai agravar-se até 2060, com destaque para as ilhas da Madeira, Açores e o Norte, onde haverá mais de 400 idosos por cada 100 jovens em 2100, segundo ainda a projeção do INE.

Portugal perderá população, passando dos atuais 10,7 para 8,3 milhões de pessoas como foi já mencionado, sendo que os jovens até aos 15 anos vão diminuir de 1,4 para menos de um milhão e os idosos passam de 2,6 para 3,1 milhões, segundo um cenário central de projeção.

Os investigadores traçaram também um cenário em que imaginam um aumento da esperança média de vida, entre outros fatores, e nesse caso, a população idosa poderá chegar aos 4,2 milhões.

Certo é que todos os cenários mostram um país com cada vez menos jovens e cada vez mais idosos. O índice de envelhecimento - que compara a população com pelo menos 65 anos e as crianças até aos 15 anos - poderá aumentar substancialmente até 2100, dos atuais 192 para 316 idosos por cada 100 jovens.

Mas o valor nacional esconde realidades regionais, como as ilhas dos Açores e da Madeira e a região norte que poderão assistir aos desequilíbrios muito elevados entre a população mais jovens e os idosos.

O caso mais curioso é o da Região Autónoma dos Açores, atualmente apontada como a região menos envelhecida do país, por ter apenas 128 idosos por cada 100 jovens. No entanto, em 2100, será a terceira mais envelhecida com “405 idosos por cada 100 jovens”.

No ano passado, o Centro era a zona mais envelhecida do país, mas os cenários agora traçados pelos especialistas indicam que, em 2100, o título será da região Norte, onde o índice de envelhecimento passará dos atuais 205 idosos para 475.

Na Madeira, o índice de envelhecimento deverá disparar dos atuais 179 idosos para 442 por cada 100 crianças em 2100, revelam as projeções do INE que apontam o Algarve como a futura região menos envelhecida.

Os investigadores sublinham que nestas projeções foram tidos em conta saldos migratórios e níveis de fecundidade mais positivos, que permitiram atenuar o ritmo de envelhecimento da população mas não conseguiram travá-lo.

“O índice de envelhecimento em Portugal aumentará gradualmente até 2060, ano em que tenderá a estabilizar”, escreve o INE, admitindo que no início do século XXII haverá muito menos gente em idade ativa (4,2 milhões) o que levará a um agravamento do índice de dependência de idosos, para quase o dobro do atual.

Atualmente existem 39 idosos por cada 100 pessoas em idade ativa, mas em 2100, num cenário central, serão 73 idosos por cada 100 pessoas em idade ativa.

Mais uma vez, a média nacional esconde realidades regiões: “As regiões autónomas dos Açores e da Madeira, que em 2024 registam o menor número de idosos por 100 pessoas em idade ativa (26 e 32, respetivamente), poderão ter em 2100, no cenário central, um índice de dependência de idosos de 84 e 87, respetivamente, apenas ultrapassadas pelo Norte (com 97 idosos por cada 100 pessoas dos 15 aos 64 anos)”, explica o INE.

O INE salienta que os resultados das projeções hoje divulgadas partem de diferentes cenários, mostrando diferentes modos de evolução da população e ilustram trajetórias possíveis.

Para cada uma das componentes foram consideradas três hipóteses de evolução, central, otimista e pessimista, “uma vez que os níveis futuros de fecundidade, mortalidade e migrações não são possíveis de estabelecer com exatidão” e por isso os resultados tentam ilustrar resultados futuros possíveis, “apesar de não existir certeza sobre a eventual realização de um qualquer resultado futuro”.

As projeções “ilustram trajetórias possíveis de variação da população sendo os resultados condicionados quer pela estrutura e composição da população de partida quer pelas diferentes hipóteses de evolução da fecundidade, da mortalidade e das migrações ao longo do período de projeção”.

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