Os vizinhos tentaram alertar as autoridades, mas nada foi feito
Uma história chocante de abandono e negligência surge no coração de Lisboa, onde uma idosa faleceu num apartamento em condições indignas, repleto de sujidade e de fezes. O caso, que chegou ao conhecimento do Ministério Público, acabou arquivado, apesar de repetidos apelos dos vizinhos e intervenções falhadas das autoridades de saúde.
Durante dois anos, os vizinhos do prédio, localizado numa das avenidas mais caras da capital, denunciaram a situação. Preocupados com a saúde da idosa e do seu filho, que sofre de perturbações mentais, tentaram de tudo para alertar as autoridades: apresentaram queixas na justiça, solicitaram a intervenção do delegado de saúde, mas nada foi feito.
A condição deplorável do apartamento foi testemunhada por pessoas que conviveram de perto com os moradores. "Quando entrei lá pela primeira vez, parecia uma autêntica lixeira. Moscas nas paredes, lixo acumulado pelos corredores, um cheiro insuportável. Foi um horror, nunca imaginei que pudesse ser a casa de alguém", revelou à TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, uma testemunha, visivelmente abalada.
Em 2022, diante do agravamento da situação, os moradores solicitaram a intervenção do delegado de saúde de Lisboa, apontando que o caso representava um grave risco para a saúde pública. Apesar de uma visita ao local ter sido agendada, nada mudou.
Também foi apresentada uma queixa no Ministério Público, que resultou na abertura de um processo de maior acompanhado. No processo, a que TVI teve acesso, é descrito que tanto a mãe quanto o filho sofriam de perturbações psiquiátricas e não tinham quaisquer hábitos de higiene. Ambos necessitavam de acompanhamento especializado, mas isso nunca foi concretizado.
A idosa acabou por falecer em casa, em condições deploráveis, sem qualquer suporte adequado. O filho, incapaz de compreender plenamente a gravidade da situação, conviveu com o corpo da mãe durante pelo menos dois dias antes de este ser descoberto. Após a morte, continuou a viver sozinho no mesmo local, repetindo os mesmos hábitos, sem que qualquer entidade competente tenha determinado exames médicos ou providenciado um acompanhamento adequado.