A criadora de conteúdo brasileira foi a cabeça de cartaz do primeiro de três dias da conferência ICON, sobre o poder dos influenciadores digitais. Seguem-na 10 milhões no Instagram
Tudo a postos para ouvir e ver Camila Coelho. Música ritmada enche o Altice Arena. Duas cadeiras brancas no centro do palco e atrás a palavra chave: ICON, a conferência que reúne em Lisboa influenciadores e especialistas em marketing até sexta-feira. Esta quarta-feira o dia era da criador de conteúdos e empreendedora brasileira, que começou quando o nome “influenciador” ainda nem existia.
A conversa é conduzida pela atriz, e também influenciadora, Rita Pereira. “Achou que não ia ter ninguém”, brinca, ensaiando o sotaque brasileiro. “Olá, Portugal! Olá, Lisboa”. À primeira pergunta, um piscar de olhos às seguidoras portuguesas: “A minha comunidade portuguesa fez muita parte da minha história, obrigada, é uma honra estar aqui hoje”.
Há 15 anos, conta Camila Coelho, “quando tudo era mato” e o influenciador "não existia”, ela era uma vendedora de maquilhagem num grande armazém que decidiu cultivar um hobby - gravar vídeos para o YouTube (quando o YouTube não alojava milhões de tutoriais de maquilhagem). Nas primeiras filas, as mãos levantam-se para dizer que, sim, estavam lá nessa época. O passatempo tornou-se um trabalho e, mais recentemente, uma marca de roupa e uma marca de produtos de beleza. São 10 milhões de seguidores no Instagram e 1,2 milhões no TikTok - um membro pleno e ativo da “creator economy” de que se fala na ICON, uma conferência sobre influência (e marketing), uma seguidora de tendências que também cria as suas.
“Criei uma comunidade muito forte, mundo afora, com essa conexão”, conta. “O mais difícil foi manter-me”, reconhece a influenciador, depois de ter passado do YouTube para o Instagram e também para o TikTok. Comunidade é a palavra mais importante para Camila Coelho. “Antes de criar um produto ou marca, criei uma comunidade. esperei praticamente 10 anos”, explica. “Fiquei na comunidade, criei conexão, até ver que o meu nome era uma marca”, diz, acrescentando: “Sou uma pessoa, mas o meu nome virou uma marca com que outras marcas queriam trabalhar”.
Quando Camila Coelho começou a trabalhar com marcas estava a pavimentar um caminho que hoje muitas influencers percorrem. Hoje é ela que dá conselhos às marcas. “Eu preciso saber quem está atrás desse celular”. Continua: “As marcas têm de entender que cada influenciador vai dar um resultado diferente, é preciso uma clareza na estratégia”.
Em pouco mais de meia hora, Camila Coelho garantiu que nunca se está 100% preparada para lançar uma marca, que às vezes é preciso dar passos atrás para ir para a frente e que sempre escolheu falar do que testou. Nem que para isso tivesse que dizer que não. “É muito difícil não ganhar dinheiro, não é gente?”
Um desses momentos de recuo aconteceu em 2019, quando tinha acabado de lançar as suas marcas, subiu as escadarias da Met Gala e toda a gente queria trabalhar com ela. “Via-me a chorar muitas vezes e comecei a notar que estava um pouco depressiva”, contou. “Conversando com o meu marido entendi que estava exausta. Precisava de dizer mais ‘não’, dar uns passos para trás, dar uma paradinha, fazer menos. Comecei a estar mais presente, fazer coisas sozinha que eu gostava de fazer. Mais do que ter mais dinheiro na conta e mais visibilidade na internet, vou ser clara. Consegui priorizar”.
Diz-se uma seguidora de tendências, mas também uma criadora de tendências. E, assegura, recua quando tem de recuar. “Tudo o que conquistei vem de trabalho duro. Tenho muito orgulho da minha história mas houve uma fase em que estava só no glamour, mas depois eu vi que não estava a fazer bem, era uma vida muito inatingível, decidi então trazer a camila raiz de volta. E, quem sabe, no futuro pode vir a fazer conteúdo de cozinha, o que ainda lhe falta (e um dos seus hobbies).
O ICON continua esta quinta e sexta-feira recebendo, entre outros, Chiara Ferragni e Simon Cowell.