ICE suspende maioria das operações stop após tiroteios fatais no Maine e no Texas

CNN Portugal | CNN , PF
14 jul, 23:03
Agentes do ICE (AP)
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O czar das fronteiras dos EUA, Tom Homan, afirmou à Fox News que esta será uma “pausa curta apenas para nos certificarmos de que estamos a fazer o que está certo”

O ICE, a agência de imigração e controlo aduaneiro dos EUA, decidiu suspender a maioria das operações ‘stop’ nas estradas americanas após dois tiroteios fatais nos estados do Maine e do Texas, informou a CNN, citando uma fonte com conhecimento do processo.

De acordo com o canal americano, a medida abrange os agentes da divisão de operações de fiscalização e remoção, encarregados da detenção e deportação dos imigrantes sem documentos, e determina uma pausa no início dessas operações ‘stop’. Os agentes receberam instruções para recorrerem a outros métodos de aplicação da lei, refere a mesma fonte.

Ao início da noite desta terça-feira, o czar das fronteiras dos EUA, Tom Homan, afirmou à Fox News que esta será uma “pausa curta”.

"Não se trata de uma mudança de política; é uma pausa temporária. É uma pausa curta apenas para nos certificarmos de que estamos a fazer o que está certo”, disse Homan, que afirma que o ICE tem outros métodos para aplicar a lei.

"Há várias opções. Pode-se esperar até ele (imigrante) chegar ao destino e, só então, proceder à detenção. Não estou a dizer que isto seja um pilar do nosso trabalho”, acrescentou, remetendo outros esclarecimentos para o secretário de Estado da Segurança Interna, Markwayne Mullin, e para o líder do ICE, David J. Venturella, que “tomaram esta decisão”. Questionado sobre a duração da suspensão, porém, Homan pensa que poderá ser de “umas duas semanas”.

O primeiro dos tiroteios fatais dos últimos dias ocorreu no dia 7 de julho. De acordo com a CNN, Lorenzo Salgado Araujo, imigrante mexicano de 52 anos, estava a caminho do trabalho na cidade de Houston quando agentes do ICE tentaram efetuar uma operação 'stop' e Araujo tentou fugir à detenção, afirmou um porta-voz do ICE num comunicado à CNN.

"Ele deveria ter ido buscar os últimos dos seus trabalhadores antes de se dirigir a North Houston para concluir a construção de algumas casas", afirmou Ronaldo Salgado, filho de Salgado Araujo, numa conferência de imprensa realizada no dia 9. "Sem que nenhum de nós soubesse, o meu pai tinha sido alvejado dentro da sua carrinha por agentes do ICE em carros não identificados", acrescentou.

A agência afirma que Salgado Araujo embateu num dos veículos e recusou-se a obedecer a várias ordens verbais, antes de um agente do ICE ter disparado a sua arma em legítima defesa.

Salgado Araujo não tinha antecedentes criminais e ficou assustado quando carros não identificados começaram a segui-lo, disse o seu filho.

Esta segunda-feira, num novo incidente fatal, Joan Sebastian Guerrero, colombiano de 26 anos, foi morto a tiro por agentes do ICE em Biddeford, no estado do Maine.

À CNN, um dos vizinhos de Guerrero, Nelson Elias, contou o sucedido.

"Por volta das 7 da manhã, ouvi gritos que me acordaram. Ouvi-os (os agentes) a dizerem-lhe para estacionar o carro. Era muito barulhento. Depois, de repente, dispararam cerca de seis vezes, e foi algo difícil de ouvir", recordou Elias.

"Primeiro fui ver como estava a minha família e depois saí para fora. Ele estava ali, no chão. A mulher dele estava ali, a gritar e a chorar ao lado dele. A filha dele também estava lá."

Elias disse que Guerrero vivia com a companheira e a filha.

"Ele era uma boa pessoa. Era calmo e reservado. Trabalhava arduamente para sustentar a mulher e a filha de 3 anos", disse Elias. "Só pedimos justiça para a família dele. Foi difícil ver a mulher dele ali sentada, só a chorar e a gritar."

O Departamento de Segurança Interna (DHS) demorou 12 horas a pronunciar-se sobre o caso, emitindo um comunicado em que refere que o agente do ICE atirou contra Guerrero “temendo pela segurança pública”, sem revelar quais os motivos.

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