Foco de tensões em Minneapolis, o ICE vai ser destacado para operações de segurança em pleno território europeu
A indignação está a crescer em Itália por causa do destacamento de agentes dos serviços de imigração (ICE) para apoiar as operações de segurança dos EUA nos Jogos Olímpicos de inverno no próximo mês.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, foi instada a intervir para bloquear a presença dos agentes, na sequência de dois tiroteios fatais ocorridos durante uma ação de repressão da imigração em Minneapolis.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) confirmou as informações num comunicado enviado à CNN esta terça-feira.
O ICE desempenhará “um papel de segurança” nos Jogos Olímpicos, disse um porta-voz do DHS. “Não realizam operações de controlo da imigração num país estrangeiro, obviamente”, acrescentou o porta-voz.
De acordo com a Associated Press, citando fontes, as agências federais apoiaram a segurança dos diplomatas norte-americanos em Jogos Olímpicos anteriores, incluindo a Homeland Security Investigations, que faz parte do ICE.
O antigo primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte instou o governo do país a “estabelecer os seus próprios limites” e a “tomar decisões claras”.
“Depois da violência nas ruas e dos assassínios nos Estados Unidos, o porta-voz do ICE disse-nos que os agentes do ICE virão para Itália para garantir a segurança nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina”, publicou Conte no X, esta terça-feira, referindo-se a notícias que citam o ICE nos meios de comunicação social italianos.
“Não podemos permitir isto”, acrescentou. "O nosso governo tentou minimizar a situação, mas estas últimas declarações falam claramente da determinação do ICE em vir e garantir a ‘segurança’ também em Itália. Chega de vénias", acrescentou Conte.
No mesmo dia, o presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala, declarou que as autoridades “não precisam do ICE” para implementar a segurança nos Jogos Olímpicos, dizendo à rádio local: “Eles não são bem-vindos em Milão”.
“Esta é uma milícia que mata”, frisou Sala à estação de rádio italiana RTL 102.5 esta terça-feira. "Poderíamos alguma vez dizer ‘não’ a Trump? Não se trata de cortar relações ou de criar um incidente diplomático, mas será que podemos dizer ‘não’?"
“Penso que não deveriam vir para Itália porque não garantem que estão alinhados com os nossos métodos democráticos de gestão da segurança”, acrescentou Sala.
Durante o fim de semana, os meios de comunicação social italianos noticiaram o destacamento da ICE para a cidade de Milão, no norte do país, o que suscitou críticas e até petições, num contexto de maior escrutínio sobre a jurisdição e a força exercida pelos agentes de imigração nos EUA.
Nas últimas semanas, agentes federais do ICE mataram dois cidadãos norte-americanos na cidade de Minneapolis, num contexto de intensificação dos protestos que exigiam o fim das rusgas de imigração levadas a cabo pela Casa Branca.
Outro legislador italiano avisou que os agentes do ICE “não devem pôr os pés em Itália”. “É uma milícia violenta, despreparada e fora de controlo”, disse Carlo Calenda, um político veterano, à RTL 102.5.
Kit Maher e Sharon Braithwaite, da CNN, contribuíram para a reportagem