Exclusivo. Relatório inicial confirma que dois agentes dispararam as suas armas durante "luta" com Pretti

CNN , Holmes Lybrand, Lauren Fox, Shimon Prokupecz
28 jan, 16:25
Alex Pretti (CNN)

Um agente do ICE terá gritado "várias vezes": "Ele tem uma arma!"

Dois agentes dispararam as suas armas durante o confronto fatal com Alex Pretti em Minneapolis no fim de semana, de acordo com um relatório inicial do Departamento de Segurança Interna ao Congresso, analisado pela CNN.

O relatório - da investigação inicial da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) sobre o tiroteio contra Pretti - diz que um agente gritou várias vezes: “Ele tem uma arma”. Isto antes de um membro do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e outro da Patrulha de Fronteira dispararem enquanto os agentes lutavam com Alex Pretti no chão.

“O pessoal da CBP tentou prender Pretti. Pretti resistiu aos esforços da CBP e seguiu-se uma luta”, conta o relatório. “Durante a luta, um [agente da Patrulha de Fronteira] gritou várias vezes: ‘Ele tem uma arma!’”.

O relatório continua: “Aproximadamente cinco segundos depois, um [agente da Patrulha de Fronteira] disparou a sua Glock 19 fornecida pela CBP e um [agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras] também disparou a sua Glock 47 fornecida pela CBP contra Pretti.”

O documento não detalha se as balas disparadas por ambos os agentes da lei atingiram a vítima. Também não afirma, como fez a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, após o tiroteio, que Pretti estava a “brandir” uma arma.

Têm-se multiplicado as questões sobre se os agentes dispararam a arma de Pretti durante a luta que se tornou num tiroteio mortal, filmado por transeuntes de vários ângulos enquanto a confusão e o subsequente homicídio se desenrolavam.

De acordo com o relatório, os agentes dispararam as suas próprias armas de fogo, fornecidas pela agência. Uma análise feita pela CNN das imagens disponíveis do confronto revelou que um agente pareceu retirar a arma de fogo de Pretti da sua cintura momentos antes do tiroteio.

O relatório, proveniente da investigação interna da CBP conduzida pelo Gabinete de Responsabilidade Profissional da agência, que investiga possíveis condutas criminosas por parte de agentes do serviço, é o primeiro a ser divulgado das várias investigações em curso sobre o tiroteio, incluindo pelo departamento de Segurança Interna do Serviço de Investigações de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) e pelo Gabinete de Detenção Criminal de Minnesota.

Uma captura de ecrã de um vídeo obtido pela Reuters mostra um agente a pulverizar gás-pimenta sobre Alex Pretti, antes de Pretti ter sido fatalmente baleado, em Minneapolis, Minnesota, a 24 de janeiro. (Vídeo obtido pela Reuters)

Ainda segundo o mais recente relatório, “após o tiroteio, um agente da Patrulha de Fronteira informou que estava na posse da arma de Pretti. O membro da patrulha posteriormente apreendeu e guardou a arma de Pretti no seu veículo”.

Os agentes da CBP “cortaram as roupas de Pretti e prestaram-lhe assistência médica, colocando selos torácicos nas suas feridas”, pode ler-se no documento.

Antes do tiroteio, de acordo com o relatório, um agente da Patrulha de Fronteira “foi confrontado por duas civis que apitavam”.

O agente “ordenou a ambas as mulheres que saíssem da estrada, mas elas não se moveram. O [agente] empurrou ambas e uma das mulheres correu para um homem, mais tarde identificado como Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, cidadão norte-americano”.

Os agentes tentaram prender Pretti. Tendo “resistido aos esforços do pessoal da CBP, seguiu-se uma luta”, afirma o relatório das conclusões iniciais.

Mais de dez minutos depois de a vítima ter sido baleada e morta, os Serviços Médicos de Emergência do Corpo de Bombeiros de Minneapolis transportaram-no para o Centro Médico do Condado de Hennepin, onde foi declarado morto aproximadamente às 9:32.

Os investigadores da CBP foram “informados de que seria realizada uma autópsia pelo pessoal médico do Gabinete Médico-Legal do Condado de Hennepin” e solicitarão as conclusões oficiais quando a autópsia estiver concluída, conclui o documento.

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