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IA para apoiar a tomada de decisões e não para investir de forma autónoma

19 mai, 17:39
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Cada vez mais pessoas sentem que, sem dinheiro, estão a falhar na vida e que deveriam ter adquirido conhecimentos financeiros sólidos mais cedo para evitar essa sensação. Essa pressão tem vindo a aumentar de forma expressiva: a percentagem de pessoas que afirma sentir necessidade de ganhar dinheiro para se considerar bem-sucedida passou de 18% em 2022 para 33% em 2025 – quase o dobro em apenas três anos.

O problema é que o modelo tradicional de aconselhamento financeiro não foi concebido para ensinar essas competências a toda a gente. Durante décadas, um bom aconselhamento financeiro esteve reservado a clientes com patrimónios elevados, porque a estrutura de custos o tornava inviável para outros segmentos com rendimentos mais modestos.

A promessa de que a inteligência artificial (IA) irá quebrar essa lógica já começa a tornar-se realidade. Os sistemas baseados em IA e os assistentes virtuais respondem a dúvidas e personalizam informação para apoiar a tomada de decisões, tirando partido da automatização e da tecnologia para prestar esse serviço por uma fração do custo cobrado pelos gestores tradicionais. O resultado é que serviços antes exclusivos estão a chegar a segmentos que, historicamente, ficavam de fora.

De acordo com o relatório “300,000 Voices”, do Oliver Wyman Forum, que documenta a evolução, ano após ano, desde 2022, das prioridades pessoais e financeiras de uma amostra de 300 000 inquiridos em todo o mundo, a utilização da IA para investir cresceu 30% em apenas dois anos. Cada vez mais pessoas recorrem a estas ferramentas para necessidades bancárias do dia a dia, planeamento financeiro e apoio ao investimento.

Mas o mais interessante é perceber como muda a relação com o aconselhamento profissional. Dois terços dos investidores de rendimentos médio-altos afirmam ser capazes de gerir os seus investimentos melhor do que um consultor tradicional; no entanto, o recurso a consultores profissionais não desapareceu. A aparente contradição esclarece-se ao compreender que o conceito de «gestão pessoal» mudou e que já não significa fazê-lo completamente sozinho, mas sim com assistência tecnológica que antes não existia.

As pessoas não estão a rejeitar o aconselhamento especializado, estão sim a procurá-lo em formatos diferentes, onde possam aprender ao seu próprio ritmo, fazer perguntas sem se sentirem julgadas e testar diferentes cenários antes de se comprometerem. A tecnologia oferece esse espaço que o modelo tradicional raramente proporcionava. Embora o uso da IA continue a crescer, o interesse em permitir que esta tome decisões de forma totalmente autónoma permanece relativamente limitado.

As pessoas querem ferramentas que as ajudem a compreender um mundo cada vez mais complexo e a tomar melhores decisões, e não que decidam por elas.

Além disso, esta transformação no domínio do aconselhamento e da gestão de investimentos é especialmente visível entre as gerações mais jovens. Para além da IA, a Geração Z e os Millennials cresceram em ambientes onde as redes sociais são a principal fonte de aprendizagem para praticamente tudo, incluindo as finanças pessoais. Mais de metade da Geração Z e quase metade dos Millennials apontam as redes sociais como o principal fator que os levou a envolver-se no investimento, aprendendo com criadores de conteúdo, comparando estratégias em comunidades online e confiando nas recomendações de pares em vez das instituições tradicionais.

Essa abertura digital traduz-se em escolhas diferentes das gerações anteriores. As aplicações de investimento consolidam-se como uma das opções mais utilizadas pelos investidores mais jovens, enquanto as plataformas ligadas a ativos digitais têm vindo a ganhar espaço face aos modelos tradicionais.

As instituições financeiras têm agora a capacidade de atender de forma rentável milhões de pessoas antes inacessíveis, graças ao facto de a IA permitir ampliar o aconselhamento personalizado a custos impensáveis há uma década. Mas enfrentam uma escolha: utilizá-la de forma defensiva, para otimizar o atendimento aos clientes existentes, ou implementá-la para captar e servir segmentos historicamente excluídos.

O setor da consultoria financeira será um dos primeiros a mudar radicalmente com os modelos de atendimento e serviço baseados em agentes. E será a ponta de lança da disrupção do setor bancário em geral.

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