Investigadores portugueses descobrem proteína que prevê eficácia da quimioterapia no cancro da mama

Agência Lusa , RL
19 abr, 12:30
Cancro: o futuro passa por aqui

Instituto da Universidade do Porto revela que a investigação abre “portas a uma utilização mais inteligente da quimioterapia”

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto integraram um estudo no qual foi descoberta uma proteína que permite prever a eficácia da quimioterapia em pacientes com cancro da mama triplo negativo.

Em comunicado, o instituto da Universidade do Porto revela que a investigação, publicada na revista Cell Reports, abre “portas a uma utilização mais inteligente da quimioterapia” que, apesar de não ser “eficaz” em todas as mulheres com cancro da mama, é o método mais utilizado.

A par dos efeitos secundários como a fadiga, anemia, náuseas e perda de cabelo, “em cerca de metade dos casos a quimioterapia nem sequer funciona”, salienta o i3S, acrescentando que a equipa de investigadores, da qual fez parte Sandra Tavares, tentou perceber as razões do sucesso ou insucesso dos tratamentos.

Como resultado, os investigadores descobriram uma proteína, presente nas células tumorais e designada FER, que permite prever a eficácia da quimioterapia nos pacientes com este tipo de cancro.

Citada no comunicado, Sandra Tavares salienta que as mulheres com cancro da mama triplo negativo que apresentam elevados níveis de proteína FER “reagem melhor à quimioterapia com taxanos, um tipo de medicamento normalmente associado ao retardamento da divisão celular e, consequentemente, ao crescimento do tumor”.

“Quando [as pacientes] não têm esta proteína a quimioterapia não faz qualquer efeito”, salienta a investigadora, que integra o grupo ‘Cytoskeletal Regulation & Cancer’ do i3S.

Neste momento, os investigadores estão a trabalhar no desenvolvimento de um teste para avaliar os níveis da proteína em tumores de mama triplo negativo.

Também citado no comunicado, Patrick Derksen, investigador do Centro Médico Universitário de Utrecht (Holanda) que liderou o estudo, afirma que o objetivo é “usar o teste desde o momento do diagnóstico” para que seja possível “oferecer um tratamento mais personalizado”.

“O teste é realizado no laboratório com o material tumoral recolhido. Não é necessário pedir exames extra aos pacientes. Vamos fazer ensaios clínicos deste teste para confirmar a nossa previsão e assim poder oferecer um tratamento mais personalizado e eficaz”, esclarece.

A par do teste, o mecanismo desvendado na investigação será “extremamente importante para clínicos e pacientes”, uma vez que explica a diferença de reação à quimioterapia com taxanos.

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