Presidência húngara da UE utiliza slogan de Trump para defender "Europa Grande"

Agência Lusa , DCT
18 jun, 16:44
Bandeira da Hungria (Associated Press)

Em conferência de imprensa em Budapeste, o ministro húngaro dos Assuntos Europeus, János Bóka, explicou que “é uma referência a uma presidência ativa” e unida, manifestando também “a ideia de que a Europa é capaz de se tornar um ator global independente no nosso mundo em transformação”.

A presidência húngara da União Europeia (UE), no segundo semestre de 2024, terá como mote “Tornar a Europa Grande de Novo”, numa alusão ao ‘slogan’ usado pelo ex-presidente norte-americano, Donald Trump, na campanha presidencial de 2016.

Numa altura em que a UE assiste a um vácuo institucional dadas as mudanças nas instituições europeias pelo novo ciclo institucional e em que os Estados-membros se veem confrontados com desafios como a competitividade, a defesa e as migrações, a Hungria assume a presidência rotativa do Conselho entre julho e dezembro de 2024.

“Tornar a Europa Grande de Novo” é o mote desta presidência europeia rotativa, semelhante ao ‘slogan’ e movimento político americano popularizado por Donald Trump durante a sua bem-sucedida campanha presidencial de 2016.

Esta escolha surge a poucos meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para novembro, e quando o primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, tem conhecidas boas relações com Donald Trump, que pode voltar a ser Presidente dos Estados Unidos.

Em conferência de imprensa em Budapeste, o ministro húngaro dos Assuntos Europeus, János Bóka, explicou que “é uma referência a uma presidência ativa” e unida, manifestando também “a ideia de que a Europa é capaz de se tornar um ator global independente no nosso mundo em transformação”.

O logótipo escolhido contém um cubo com as cores da UE (azul e amarelo, das estrelas da bandeira) e da bandeira húngara (vermelho, branco e verde).

No programa da presidência húngara, lê-se que “a Hungria assume a Presidência do Conselho da União Europeia num momento de circunstâncias e desafios extraordinários”.

“O nosso continente está a enfrentar desafios comuns devido à guerra na nossa vizinhança, ao atraso cada vez maior da UE em relação aos seus concorrentes mundiais, a uma situação de segurança frágil, à migração ilegal, à vulnerabilidade das cadeias de abastecimento internacionais, às catástrofes naturais, aos efeitos das alterações climáticas e ao impacto das tendências demográficas”, elenca Budapeste no documento.

Além disso, como 2024 é um ano de transição, “a presidência húngara terá de assegurar a continuidade do trabalho no Conselho, em cooperação com um Parlamento Europeu e uma Comissão Europeia recém-criados, e terá de iniciar a implementação da Agenda Estratégica 2024-2029, que estabelece as orientações a longo prazo para o trabalho futuro da União”, acrescenta.

Por essa razão, “a Presidência húngara e a Europa devem estar preparadas para o facto de que as guerras, os conflitos armados, as crises humanitárias no mundo e as suas consequências continuarão a desafiar o continente na segunda metade de 2024”, conclui-se no programa.

A Hungria promete, ainda, em informações na sua nova página da internet “atuar como um mediador honesto numa cooperação fiel com os Estados-membros para alcançar a paz, a segurança e a prosperidade na Europa num período difícil”.

Entre as prioridades estão um novo pacto europeu de competitividade, o reforço da política europeia de defesa, o combate à migração ilegal, o delineamento do futuro da política de coesão, uma política agrícola da UE centrada na economia e a demografia.

Em entrevista à agência Lusa em meados de maio, o secretário de Estado da Comunicação Internacional e porta-voz internacional do gabinete do primeiro-ministro, Zoltán Kovács, indicou que a Hungria iria promover competitividade económica, cooperação em defesa e alargamento aos Balcãs na presidência da UE.

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