Sexo com neandertais tornou humanos mais resistentes ao VIH mas mais vulneráveis à covid-19

23 fev, 09:01
Família - Neanderthal Museum - Krapina (Croácia)

Estudo concluiu que as pessoas que contraíram covid-19 têm um risco 27% menor de contrair o vírus do VIH

A reprodução entre neandertais e homo sapiens tornou os seres humanos mais resistentes ao VIH, mas mais vulneráveis à covid-19, segundo um estudo publicado esta segunda-feira, reporta o El País.

O trabalho, da autoria de Hugo Zeberg, do Instituto Karolinka, na Suécia, e publicado na revista PNAS, concluiu, sem apresentar motivos concretos, que as pessoas que contraíram covid-19 têm um risco 27% menor de contrair o vírus do VIH.

Zeberg já tinha publicado outro estudo no final de 2020, em conjunto com Svante Paabo, que concluiu que o maior fator de risco de contrair uma forma grave de covid-19, encontrado no cromossoma 3, foi introduzido através do cruzamento com neandertais entre 50 mil a 70 mil anos atrás.

O autor teoriza que essa variante também protegia conta a varíola, que, quando surgiu, há mais de 10 mil anos, fez com que a variante neutra convertesse a de origem neandertal numa vantagem genética.

“A evolução é uma questão de equilíbrio. Vimos uma variante que reduz a possibilidade de ser infetado pelo VIH e que protegeu de outras infeções no passado. É possível que a mutação tenha trazido algumas desvantagens, porque a proteína não cumpre bem a sua função, mas se te dá mais vantagens de sobreviver a um vírus mortal, tens uma vantagem face ao resto da população”, afirmou Cristian Cañestro, da Universidade de Barcelona.

A herança dos neandertais pode apresentar vantagens ou desvantagens. Em 2016, um estudo publicado na revista Science concluiu que um gene neandertal tornava o sangue mais espesso, facilitando a coagulação. Nos tempos que correm, com a cada vez maior propensão dos seres humanos para contrair doenças cardíacas, constitui um fator de risco.

Cañestro vincou, também, o papel da sorte e do azar na evolução. “Podemos ter o melhor peixe do mundo, mas se está num lago que vem a secar, não sobrevive e não transmite os seus genes”.

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