Candidato do Chega falhou a eleição por um voto
As contas do líder da bancada parlamentar do PSD são fáceis de fazer e só dão um resultado: foi a bancada do Chega a inviabilizar a eleição de Diogo Pacheco de Amorim como vice-presidente da Assembleia da República.
Em entrevista na CNN Portugal poucas horas depois da polémica, Hugo Soares garantiu estar convicto de que a bancada composta pelos 89 deputados sociais-democratas votou de acordo com a ordem do partido, que era de aprovar todos os nomes propostos.
Acontece que, acreditando Hugo Soares neste cenário, só há outra forma de a eleição de Diogo Pacheco de Amorim ter falhado, e que passa por parte da bancada do Chega ter votado contra essa mesma eleição, uma vez que as restantes bancadas juntas não chegam para fazer uma maioria negativa.
“Diogo Pacheco de Amorim já tinha sido candidato e não tinha sido eleito por causa da esquerda. Há um ano, o mesmo foi eleito com os votos da nossa bancada. Ora, se isso não aconteceu… estou absolutamente convencido de que os deputados do PSD cumpriram o que foi pedido pela liderança do grupo parlamentar”, afirmou, para depois esclarecer que houve mesmo uma indicação expressa nesse sentido, e não apenas para facilitar.
“Quando nós temos um problema, é preciso saber se o problema é só nosso ou se é de dois”, começou por dizer Hugo Soares, sublinhando que este mesmo PSD decidiu apoiar todos os candidatos propostos para estes cargos.
Foi o que aconteceu das duas vezes com Diogo Pacheco de Amorim, a tal chumbada pela esquerda e a aprovada. “Não deixa de ser curioso que ele não tenha obtido os 116 votos necessários para a eleição”, continuou, questionando de onde vem a traição de que André Ventura se apressou a falar.
“Houve um grupo parlamentar que, pela boca do seu líder parlamentar, logo a seguir à eleição ter falhado, se levantou e disse ‘estamos aqui para repetir a eleição agora e para podermos demonstrar que estes deputados vão lá votar em Diogo Pacheco de Amorim”, frisou.
Falando do lado de lá, o do Chega, Hugo Soares questionou se há um problema de nomes, atirando mesmo que podem ser propostos novos candidatos para o cargo. “Não foi por força da violação de nenhum acordo que Diogo Pacheco de Amorim não foi eleito”, reiterou, lembrando os primeiros falhanços na eleição de José Pedro Aguiar-Branco há um ano e como o próprio André Ventura sugeriu que foi o PSD a votar contra.
“Eu não vou fazer essa maldade ao deputado André Ventura”, terminou, garantindo que não esteve em causa qualquer ato de vingança para com o Chega pelo que se passou há um ano.
Quanto à eleição do presidente da Assembleia da República, essa sim sem problemas, ao contrário do que aconteceu no ano passado, Hugo Soares congratulou-se pelos 202 votos a favor da eleição de José Pedro Aguiar-Branco.
“Foi um bom dia para a democracia e para o prestígio das instituições”, concluiu.
Diogo Pacheco de Amorim teve 115 votos a favor, 115 votos brancos e zero nulos, enquanto Filipe Melo conseguiu 113 votos a favor, 117 brancos e zero nulos.
O único candidato do Chega que foi eleito foi Gabriel Mithá Ribeiro, que é reconduzido como secretário da Mesa da Assembleia da República. Teve 131 votos a favor, 99 brancos e zero nulos.
Diogo Pacheco de Amorim, Gabriel Mithá Ribeiro e Filipe Melo já tinham desempenhado estas funções na anterior legislatura.
Foram eleitos os candidatos a vice-presidentes do PSD Teresa Morais, do PS Marcos Perestrello (PS) e da Iniciativa Liberal Rodrigo Saraiva, todos os secretários da mesa e os vice-secretários indicados por PSD, PS e Iniciativa Liberal, bem como o Conselho de Administração.