Por dentro do hotel espacial com inauguração prevista para 2025

CNN , Francesca Street
7 mai, 16:00

Acordar num quarto de hotel chique com vista para o sistema solar pode ser o futuro das viagens, pelo menos no que diz respeito à visão da Orbital Assembly.

A empresa americana revelou novas informações e conceitos para a sua ideia de um hotel espacial, designs que têm estado em órbita desde 2019.

Originalmente apresentado pela empresa californiana Gateway Foundation - e depois denominado estação Von Braun - este conceito futurista consiste em vários módulos ligados por poços de elevadores que formam uma roda giratória que orbita a Terra.

O projeto está agora a ser supervisionado pela Orbital Assembly Corporation, uma empresa de construção espacial que cortou relações com a Gateway.

A Orbital Assembly pretende agora lançar não uma, mas duas estações espaciais com alojamento turístico: a Estação Voyager, o design original ao qual foi dado um novo nome, a qual se prevê que acomode 400 pessoas e que se possa inaugurar em 2027; já o novo conceito da Estação Pioneer, que acomodará 28 pessoas, poderá estar operacional já daqui a três anos.

O objetivo, declara a Orbital Assembly, é gerir um “parque de negócios” espaciais onde possam ter lugar os escritórios, bem como os turistas.

O turismo espacial parece mais próximo que nunca – no decorrer do ano passado, o bilionário Richard Branson, fundador da Virgin Galactic, foi lançado num foguetão para o espaço suborbital com a sua empresa Virgin Galactic, e também o ator de Star Trek, William Shatner, se tornou a pessoa mais velha a ir ao espaço, graças a uma viagem com Blue Origin.

No entanto, há ainda um preço incrivelmente elevado associado a qualquer viagem espacial, o que faz com que seja difícil para a maioria das pessoas imaginar que as suas férias anuais possam ser passadas fora deste mundo.

Tim Alatorre, chefe de operações da Orbital Assembly, acredita que deixará de existir esta barreira à medida que o turismo espacial for evoluindo.

"O objetivo tem sido sempre o de tornar possível que um elevado número de pessoas viva, trabalhe e prospere no espaço", declarou Alatorre à CNN Travel, numa nova entrevista.

Uma casa longe de casa

A Orbital Assembly afirma que as estações espaciais terão espaço de escritório para além do alojamento

Alatorre informou que o interesse neste novo conceito da Estação Pioneer é que o facto de ter uma menor escala a torna exequível mais cedo.

"Vai dar-nos a oportunidade de ter pessoas a começar a experimentar o espaço numa escala maior, mais rapidamente", acrescentou.

Os espaços de escritórios e instalações de investigação poderão também ser alugados, tanto na Estação Pioneer como na Estação Voyager.

O chefe de operações afirmou que é uma situação vantajosa para a Orbital Assembly, uma vez que muitos dos seus objetivos a curto prazo estão dependentes de financiamento.

A empresa de desenvolvimento espacial prevê que ambas as estações se assemelhem a uma roda giratória que orbita a terra.

Numa entrevista de 2019 com a CNN Travel, Alatorre explicou a física da Estação Voyager como funcionando como um balde giratório de água.

"A estação gira, empurrando o conteúdo da mesma para fora do seu perímetro, da mesma forma que se pode girar um balde de água - a água empurra o balde e permanece no lugar", explicou.

Perto do centro da estação não haveria gravidade artificial, mas à medida que se desce para o exterior da estação, a sensação de gravidade aumenta.

A física não mudou, referiu Alatorre mais recentemente. No entanto, como a Estação Pioneer será mais pequena, o seu nível de gravidade será diferente. Haverá ainda aquilo a que ele se refere como as “comodidades” da gravidade artificial, como os chuveiros, a capacidade de comer e beber sentado - mas os espaços com menos gravidade permitirão ainda mais divertimento, extravagâncias espaciais.

A Orbital Assembly projeta interiores semelhantes aos da Terra, mas com incríveis vistas espaciais

Os projetos dos interiores de ambas as estações sugerem decorações não muito diferentes das de um hotel de luxo aqui na Terra, juntando-lhe apenas paisagens fora de série. 

Alatorre, que tem formação em arquitetura, referiu anteriormente que a estética do hotel era uma resposta direta ao filme de Stanley Kubrick "2001: Uma Odisseia no Espaço" – afirmando que o mesmo é "quase uma lista do que não se deve fazer".

"Penso que o objetivo de Stanley Kubrick era realçar a divisão entre tecnologia e humanidade e, por isso, ele tornou as estações e as naves, propositadamente, muito estéreis e limpas e alienígenas."

O nome original do hotel espacial, Estação Von Braun, foi escolhido porque o conceito foi inspirado em desenhos antigos, de há 60 anos, de Wernher von Braun, um engenheiro aeroespacial que foi pioneiro na tecnologia de foguetes, primeiro na Alemanha e depois nos EUA.

Enquanto vivia na Alemanha, Von Braun esteve envolvido no programa nazi de desenvolvimento de foguetes, daí que dar o seu nome ao hotel espacial tenha sido uma escolha controversa.

"A estação não é realmente sobre ele. É baseada no seu design, e nós gostamos das suas contribuições para a ciência e para o espaço", afirmou John Blincow, numa entrevista de 2021 da CNN Travel - o antigo CEO da Orbital Assembly, que já não está associado à empresa. "Mas na verdade, a Estação Voyager vai muito além disso. É um produto do futuro. E queremos um nome que não esteja associado a isso.”

“Não é só para os mais ricos”

A Orbital Assembly ressalva que não é um conceito apenas para os mais ricos

O setor espacial tornou-se mais comum no último ano, com a empresa Virgin Galactic, Blue Origin e Elon Musk's SpaceX a organizar viagens.

Alatorre referiu que a sua equipa "falou com praticamente toda a gente" na indústria espacial sobre colaborações.

"Mas a única coisa que falta a todas estas empresas é o destino, certo?" perguntou. "É como se quiséssemos ir ver o Grand Canyon, passássemos por lá de carro e voltávamos logo para casa."

Já não é a primeira vez que a Estação Espacial Internacional (International Space Station) acolhe turistas, incluindo o primeiro turista espacial do mundo, Dennis Tito, em 2001. Mas Alatorre sugere que a ISS é sobretudo um local de trabalho e pesquisa, e o hotel espacial da Orbital Assembly vai ao encontro de um setor diferente.

"Não vai ser como ir a uma fábrica ou ir a um centro de investigação", afirmou. Deve, em vez disso, dar-nos a sensação de estarmos a viver um ‘sonho de ficção científica’."

"Não há fios por todo o lado, é um espaço confortável onde nos sentimos em casa", acrescentou.

Ao mesmo tempo que os bilionários investem dinheiro no espaço, há também uma crescente reação contra o turismo espacial, com muitas pessoas a sugerirem que o dinheiro poderia ser gasto de melhor forma a ajudar o planeta Terra.

Em resposta a esta crítica, Alatorre sugeriu que "muitas tecnologias que mudam a vida" provêm da exploração do espaço, tal como o GPS.

Acrescentou ainda que viver no espaço envolve o desenvolvimento de "sociedades sustentáveis".

"Este tipo de sistemas de circuito fechado vai mudar a cultura, a forma como as pessoas pensam sobre a utilização dos recursos", afirmou.

"O nosso ambiente não é apenas a Terra, é todo o sistema solar. E há tantos recursos lá fora, à medida que começamos a utilizar e a capitalizar esses recursos isso vai mudar e vai melhorar o nível de vida aqui na Terra."

Apesar de o custo de um bilhete para o espaço ser ainda elevado, segundo Alatorre, o turismo espacial não será apenas para os bilionários.

"Estamos a fazer tudo o que podemos para tornar o espaço acessível a todos, e não apenas aos ricos", confirmou.

Para além dos custos, existem outros obstáculos à criação de uma comunidade espacial, informou, nomeadamente descobrir quanta gravidade artificial será necessária, e navegar pelas diretrizes atuais em torno da exposição à radiação espacial.

Mas como os turistas não ficariam propriamente por mais de algumas semanas, Alatorre crê que isto não teria impacto nos visitantes, e seria antes um problema para aqueles que trabalham nas estações.

Jeffrey A. Hoffman, um antigo astronauta da NASA que agora trabalha no Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT, revelou à CNN Travel no ano passado que um grande obstáculo ao turismo espacial será o medo em termos de segurança.

Mas Hoffman sugeriu que, tal como no caso das viagens aéreas, um registo de segurança consistente fará com que o conceito ganhe vida, mesmo com o risco contínuo de acidentes.

"Estou entusiasmado com a ideia de que muitas, muitas mais pessoas poderão experimentar estar no espaço e, se tudo correr bem, tragam de volta à Terra um novo sentido da sua relação com o nosso planeta", referiu Hoffman, acrescentando que o efeito boca-a-boca será também fundamental.

"Quando se der início ao passa-a-palavra e estes viajantes iniciais contarem as suas histórias - não conseguiremos manter as pessoas afastadas", disse Hoffman.

Alatorre, entretanto, acredita que o turismo espacial está apenas a começar.

"Para quem é pessimista ou cético, o que sempre disse foi: 'Deem-nos tempo. Vai acontecer. Não acontece da noite para o dia. E esperem só, vão ver. Vamos mostrar-vos o que estamos a fazer à medida que avançamos e depois podem-nos dar a vossa opinião.”

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