Ordem dos Médicos aguarda há cinco dias por resposta do Hospital São Francisco Xavier

Agência Lusa , CF
1 ago, 12:09
"Situação anormal". Incêndio em hospital de Lisboa obriga a encerrar urgências

“Desde há cinco dias e até ao momento, e após insistência, não foi obtida nenhuma resposta por parte do conselho de administração”, explica a Ordem dos Médicos em comunicado

A Ordem dos Médicos afirmou esta segunda-feira que aguarda há cinco dias resposta do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental ao pedido que fez sobre as medidas adotadas para garantir o “bom funcionamento” da urgência geral do Hospital São Francisco Xavier.

“Desde há cinco dias e até ao momento, e após insistência, não foi obtida nenhuma resposta por parte do conselho de administração” do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO) que integra os hospitais S. Francisco Xavier e Egas Moniz, adianta a Ordem dos Médicos em comunicado.

O pedido de informações e esclarecimentos feito pelo bastonário dos médicos surge na sequência da demissão dos chefes de equipa do serviço de urgência do São Francisco Xavier, conhecida na sexta-feira, apontando estar em causa o planeamento da escala do mês de agosto, que prevê que a constituição das equipas do serviço de urgência geral seja assegurada apenas por um assistente hospitalar (com função de chefia) e um interno de formação geral.

Após ter conhecimento desta situação que “afetaria o normal funcionamento do serviço de urgência geral (SUG)” do hospital a partir desta segunda-feira, dia 1 de agosto, o bastonário da OM, Miguel Guimarães, pediu esclarecimentos sobre a situação em causa e as medidas adotadas com vista a assegurar o bom funcionamento da urgência geral daquele hospital, evitando a demissão em bloco de todos os seus chefes de equipa.

“Com base na informação de que dispomos, reiteramos o nosso total apoio ao grupo de Assistentes Hospitalares de Medicina Interna, na defesa dos doentes e nomeadamente da sua segurança e qualidade clínica”, sublinha no comunicado.

Para a ordem, a decisão do conselho de administração de não cumprir as equipas-tipo e escalas adequadas às necessidades dos doentes, significa estar de “forma voluntária a diminuir a segurança e qualidade clínica dos serviços prestados, a aumentar os níveis de ‘burnout’ e sofrimento ético dos médicos, e a prejudicar de forma substantiva a formação médica”.

“Todas estas situações preocupam a Ordem dos Médicos e irão ser alvo de intervenção especial, caso o conselho de administração do referido hospital mantenha a decisão já contestada pelos médicos”, adverte.

Para a Ordem dos Médicos, “não é aceitável que, numa especialidade como a Medicina Interna”, o serviço de urgência geral fique fragilizado, nomeadamente sem um especialista na escala (o cargo e funções de chefe de equipa é diferente do exercício em pleno da função de especialista).

Numa carta enviada no final da semana ao Conselho de Administração e à Direção do Serviço de Urgência Geral do CHLO, os chefes de equipa do serviço de urgência afirmam que “não estarão garantidas a capacidade de assistência e cuidados às pessoas que recorrem ao SUG do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) nem a segurança destas e dos profissionais que as assistem”.

Após uma reunião com os profissionais, o Conselho de Administração do CHLO disse ter asseguradas “condições mínimas” para o funcionamento das urgências do Hospital São Francisco Xavier.

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