"Não fizeram nenhum exame ao meu filho. E o homem que me atendeu no 112 fez deboche de mim": pais de bebé que morreu depois de ir às urgências contam a sua versão

13 jan 2025, 16:37

Teo, de dois anos, morreu à porta de casa um dia depois de ter tido alta no hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Os pais falam em má observação clínica e acusam o hospital de não ter feito exames ao bebé. E lamentam ainda o comportamento do 112

Os pais do bebé de dois anos que morreu um dia depois de ter tido alta no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, dizem que o filho não foi bem avaliado. Em declarações à TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, Silvana e Edmilson acusam ainda o hospital de não ter feito qualquer exame clínico ao filho, Teo.

“Saímos daqui [de casa] era meia noite, chegamos lá era uma da manhã. Tirámos a senha, chamaram-nos para fazer a triagem, mas a enfermeira que fez a triagem não viu a condição do miúdo, que era para ver que o miúdo estava tão fraco. Eles falaram para a mãe que era só uma virose”, conta Edmilson. E Silvana acrescenta: “Mas não fizeram nenhum exame ao meu filho”.

Teo começou a ficar com febre, vómitos e diarreia ao final do dia da passada quarta-feira. No entanto, com as horas a passar, o bebé foi piorando e ficando cada vez mais fraco, um cenário que obrigou os pais a levá-lo às urgências do Hospital Dona Estefânia, unidade na qual estiveram até às seis manhã, altura em que foi dada alta ao bebé.

A criança foi para casa com medicação, soro oral e xarope e a indicação de regressar às urgências caso os sintomas se agravassem. Segundo a Unidade Local de Saúde São José, da qual este hospital pediátrico pertence, o bebé deu entrada “com queixas compatíveis com uma gastroenterite aguda, sem sinais de gravidade”.

Já em casa, em Sacavém, e ainda com sintomas, Teo começou a apresentar alguns sinais de melhoria durante quinta-feira, mas voltou a piorar na sexta-feira, apresentando prostração e sinais de estar cada vez mais fraco. A mãe do bebé ligou para o pai para pedir ajuda. “Ela ligou para mim e disse ‘olha vem aqui a casa buscar-me para levar o Teo para urgência’. Mas eu estava muito longe, então liguei para o 112”, conta Edmilson, revelando que não recebeu o melhor atendimento. “O homem que me atendeu [no 112] comportou-se mal, fez deboche de mim, [disse] ‘Então a mulher que está em casa não sabe ligar 112?’. [Eu] disse ‘não, a minha mulher ligou para mim porque está aflita, por isso é que eu liguei [para o 112]’”.

Edmilson conta que, “passados uns 20 minutos”, a esposa voltou a telefonar-lhe para pedir os documentos do filho, porque “estava a piorar” e era preciso levá-lo de imediato para o hospital. Nessa altura, já tinha sido acionada uma ambulância para fazer o transporte, mas os pais da criança dizem que demorou demasiado.

“Peguei na carrinha, saí de Santa Iria para aqui e cheguei primeiro do que a ambulância e ele [o bebé] já não estava muito bom, estava em condições péssimas, péssimas mesmo, nem dá para lembrar”, lamenta Edmilson.

Quando chegou a ambulância, foram feitos todos os esforços para reanimar o bebé, mas Teo não resistiu e acabou por morrer à porta de casa. Os pais estão agora à espera do resultado da autópsia para ter as respostas que faltam. 

“Eles [no hospital] não podem fazer um diagnóstico mau, incorreto, mandar a criança para casa e nós estarmos aqui a seguir o que mandaram fazer. Não dá para lembrar [o que aconteceu, foi] muito, muito duro”, diz o pai.

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